Ainda não era meio dia e o sabor amargo da derrota percorria as mentes e os corpos dos quatro aventureiros, Robs passava a mão em sua barba andando em círculos com pequenos passos e pensando longe, Phillipus cuspia sangue, estava sentado e passava a mão na boca para ver se ainda tinha todos os dentes, seu rosto estava terrivelmente ferido e seu orgulho também, Al Rinaldi atendia Aderlius que parecia estar inconsciente, Kalil, agora com o rosto descoberto estava recostado em uma árvore tentando entender o que ocorrera e Wellan, bem, ele estava louco para esfolar Al Rinaldi, e ainda não o havia feito por que o homem parecia ter conhecimentos médicos, e seu amigo grandalhão carecia muito disso, venenos élficos são mortais, principalmente em se tratando de elfos da noite.
A carruagem havia virado um monte de carvão cujas brasas ainda fumegavam, um dos cavalos havia morrido e os outros três estavam feridos, mas ainda conseguiam viajar, os que serviam de montarias não haviam sofrido mais que pequenos arranhões, Al Rinaldi se levantou e veio em direção aos outros aventureiros deixando Aderlius deitado com um cobertor que ele havia levado consigo ao ser arrancado da sua bela condução:
- Seu amigo vai ficar bom, mas vai sofrer um pouco até o veneno sair completamente do seu sangue, eu sempre carrego alguns antídotos e algumas pomadas, o veneno que lhe foi aplicado é veneno feito com a mais pura maldade, o remédio que eu lhe dei vai fazê-lo suar muito, suar sangue – disse num tom firme – somente assim todo o veneno sairá, caso contrário ele iria morrer antes que a noite caísse!
Mal terminou de falar, Wellan pegou Al Rinaldi pelo colarinho de forma violenta a ponto de seu turbante se desenrolar e cair no chão:
- O que você estava transportando aqui a ponto de um elfo negro e um mago nos interceptar? O que? Gritou o cavaleiro com uma fisionomia nada amigável.
- Eu não sei ao certo?
- Não sabe ao certo? Você sabe o que é um soco? Por que eu vou te encher até sua memória ficar boa novamente!
- Opa, vamos parar por aqui, agora não é hora para isso! Interferiu o paladino tirando AL Rinaldi das mãos do cavaleiro.
- Qual é Robs! Precisamos de respostas, esse cara não é apenas um figurão!
- E por acaso batendo nele as coisas vão se acertar?
Wellan não respondeu, apenas chutou um punhado de terra do chão e se encostou em uma árvore olhando para o céu, que começava a juntar urubus prontos para banquetear os orcs.
- Meu amigo é meio esquentado Sr. Al Rinaldi, mas não tiro sua razão, afinal precisamos de respostas, quem é você realmente e o que tinha na carruagem?
O homem se abaixou para pegar seu turbante e o enrolou novamente em sua cabeça:
- Eu realmente sou ministro do Rei de Nashaf, e também sou médico da família, sou homem da sua mais alta confiança, ele ordena e eu cumpro sem questionar, apenas me disse que essa entrega tinha urgência e que como a carruagem era nobre e os guardas tinham o brasão real e eu uma carta de recomendação do Conde de Minalmar não teria problemas no caminho, afinal eu seria apenas um viajante com especiarias em forma de presentes entre dois amigos de terras distantes, esses homens que nos emboscaram sabiam o que eu levava, ele perguntou diretamente pela encomenda, e ela estava trancada dentro de um cofre, não entendo o que aconteceu.
- O seu rei foi traído, foi isso que aconteceu! Disse com dificuldades Phillipus.
- Não vamos tirar conclusões precipitadas! Falou Robs.
- Afinal o que era a encomenda e por que nos falou abertamente na taverna que o que você levava poderia ajudar muitos povos?
- No meio das especiarias estavam várias ervas medicinais que podem ajudar muitas pessoas com doenças ou como seu amigo, com venenos. Respondeu Al Rinaldi se agachando próximo de Phillipus e abrindo um envelope com uma pasta amarelada e de cheiro muito forte.
- O que é isso? Perguntou o ranger apreensivo.
- É uma pomada muito boa para ferimentos.
O ranger não esboçou reação e deixou Al Rinaldi passar a pomada sem maiores problemas, o que era raro, diga-se de passagem, isso indicava que a dor era lacerante. O que causou espanto nos amigos.
- Mas não era isso que eles queriam, era? Continuou o questionamento Robs.
Al Rinaldi balançou a cabeça em negativa:
- Sei que eram três esferas, com desenhos se não me falha a memória.
Quando Wellan ouviu aquilo voltou para perto de Al Rinaldi e Robs, estava pálido:
- Você disse esferas? Com desenhos? Quais desenhos, por favor, tente se lembrar?
- Se eu não estiver enganado, eram um dragão, uma serpente e um sapo, um em cada esfera.
O pavor tomou conta do rosto de Wellan que pronunciou mais para si do que para os outros:
- As esferas de Eratam!
- Esferas de Era o que? Perguntou Phillipus.
- Eratam, um artefato antigo, uma relíquia do mundo antigo, aprendi isso na escola para cavaleiros, para nós homens de armas não passa de esferas decoradas e não serviriam mais do que para brincarmos, mas nas mãos de um mago poderoso é uma arma das mais letais, principalmente se o mago tiver conhecimentos profundos em feitiçaria e magia negra.
- Nesse caso, vamos o mais rápido possível para Minalmar! Exclamou Robs!
- É, antes que viremos banquete de abutres! Reclamou Phillipus!
Os três cavalos machucados estavam sendo guiados por Kalil, dos quatro de montaria um estava com Al Rinaldi, outro levava Phillipus e puxava Aderlius numa espécie de maca improvisada com galhos e coberta com pedaços de folhas e tecidos, os outros carregavam Robs e Wellan. Foi um dia duro e uma noite mais dura ainda, muito frio, fome e sede, pois pararam apenas três vezes até chegarem a Minalmar, estavam exaustos e Aderlius parecia estar se recuperando, mas ainda estava muito mal, os cavalos eram realmente bons, pois ainda conseguiram chegar antes do almoço.
Assim que chegaram Phillipus desmaiou de cansaço, Aderlius gemia na maca que estava encharcada de sangue, Robs estava desconfortável, talvez pelo mesmo motivo que Wellan:
- Odeio andar assim sem parar, estou todo assado!
- Não precisa falar Wellan, se liga!
- Cara, não to nem aí, estamos arrebentados, nossos amigos quase mortos, mas se alguém zombar de mim por que eu disse que estou “assado” meto a espada na garganta! Agora vamos procurar uma pousada!
- Creio que não será necessário, vamos até a residência do Conde, com certeza ele irá dar abrigo a vocês! Comentou Al Rinaldi.
Assim que chegaram as portas da luxuosa residência do Conde e Al Rinaldi se anunciou todos foram bem recebidos, outros médicos foram chamados e Al Rinaldi contou o que já havia feito em relação aos dois mais feridos, Aderlius e Phillipus, todos ganharam um bom banho e roupas quentes, uma refeição foi posta a mesa, na verdade um banquete, se fartaram de comer, Phillipus só conseguiu tomar sopa, e Aderlius estava num quarto melhor até do que havia ficado no Recanto do Tião, uma garota de vestes serviçais de rosto muito bonito trouxe alguns biscoitos e uma bebida quente ao bárbaro que não era acostumado aquela paparicação quanto estava ferido:
- Moça, pode chamar meus amigos?
- Eles estão na sala de jantar junto de meu senhor, e recebi ordens de não os interromper durante esse tempo.
- Sala de jantar? Onde eu estou afinal de contas, no céu?
- Está na residência do Conde de Minalmar, e deve ficar em repouso, são ordens do médico!
- Que repouso que nada, um bárbaro não tem essas frescuras! Disse o bárbaro levantando-se rapidamente para novamente cair feito saco de batata, o veneno ainda não havia saído totalmente de seu corpo. A moça o ajudou a se deitar novamente, meio contra a sua vontade, afinal Aderlius sempre fazia tudo sozinho, mas até que gostou de sentir aquelas mãos macias em seus braços.
- Qual é seu nome?
- Tilia!
- Poderia ficar e fazer companhia, vai que eu cai novamente? Aderlius abriu um largo sorriso.
Na sala de jantar Al Rinaldi contou todo o ocorrido, sua saída de Nashaf, a tentativa de roubo onde dois de seus soldados tombaram (é provável que aquele ocorrido realmente tenha sido uma tentativa de roubo, pela nobreza da carruagem), como encontrou os quatro em Turque, a emboscada, e a revelação do que transportava.
O Conde parecia ser um homem experiente, sua face trazia marcas de guerra e uma longa e bem cuidada barba branca, sua pele era clara, seus cabelos bem cortados e brancos como o algodão, alto e de porte médio vestia um traje de gala, assim como cada um dos que se encontravam na mesa, todos haviam ganho trajes especiais para aquela ocasião:
- Não é sempre que convido soldados que não conheço para se assentar a mesa comigo e meus amigos. Porém, já ouvi falar de vocês, meu grande amigo, o Rei Lionel, me contou sobre como vocês escoltaram sua filha, a Princesa Linara algumas vezes, quando Al Rinaldi começou descrevê-los logo os identifiquei. O Conde tinha uma voz calma e retumbante.
- Obrigado senhor, é muita bondade sua nos conceder a honra de estarmos à mesa com tão majestosa presença. Agradeceu o paladino com um gesto de reverência.
A mesa era retangular e longa, de um lado estavam os três companheiros, Robs, Wellan no meio e por fim Phillipus, do outro lado Al Rinaldi e Kalil, na extremidade direita, a direita de Robs se assentava o Conde, em uma cadeira prateada e diferente das outras, na extremidade esquerda o assento ainda estava vazio.
- Talvez vocês não saibam, mas o artefato perdido é de grande relevância para o andamento das coisas nesse mundo.
- O pior é que eu sei sim! Respondeu o cavaleiro.
- Conhece as esferas de Eratan?
- Só na teoria, mas se o que ouvi for verdade, precisamos recuperar elas ou estaremos em sérios apuros.
- Creio que o que você ouviu na teoria não é nem metade do que realmente essas esferas podem desencadear no mundo.
- Estou começando a ficar preocupado. Exclamou Phillipus.
- Bem, se soubesse o poder contido naquelas esferas estaria procurando um lugar para se esconder.
- É, a ignorância é uma benção! Comentou Wellan.
- Mas agora vocês já não são mais ignorantes quanto às esferas, e ainda por cima elas se perderam por causa da sua imperícia em combate.
- Ei, não é bem assim, por que o homem do "turbante" não nos avisou o que transportava? Reclamou Wellan.
- Bem meu jovem, eu tenho muitos anos de experiência e aprendi que quando se dispomos a fazer algo devemos fazer bem feito, afinal vocês estavam sendo pagos para isso, Al Rinaldi não precisava dar satisfação nenhuma, vocês foram contratados e ponto final.
Wellan se calou vermelho de raiva, Phillipus também não gostou do que ouviu, mas ambos preferiram o silêncio.
- Vossa majestade poderia nos contar um pouco sobre essas esferas e por que estavam vindo para cá? Perguntou Robs educadamente.
- Bem, por muitos anos as tenho procurado, não para usá-las, mas para destruí-las, são relíquias antigas, herança maldita de um tempo que já não é mais lembrado, no entanto, assim como eu, outros a procuram, mas para ativá-las. Elas estavam perdidas até onde sabíamos, amigos meus de todos os continentes procuravam e finalmente o grande Rei de Nashaf com sua guarda Invencível as localizou no Mar de Areia e logo em seguida me enviou, mas era necessário muita descrição, por isso tentamos fazer que tudo parecesse apenas uma viagem de um nobre carregando presentes de um Rei para um Conde, infelizmente alguém nos traiu.
- Como o senhor sabe de tudo isso? Perguntou Phillipus.
- Bem, isso é uma longa história, e quem sabe se vocês retornarem com vida e com elas eu poderei estar lhes contando.
- Nós iremos recuperá-las! Bradou o paladino.
Wellan e Phillipus apenas o olharam com rosto cético quanto a isso, artefatos poderosos assim costumam ser procurados por gente poderosa, e isso realmente era um grande problema.
Der repente à porta do salão se abriu, uma linda mulher de uns 30 anos surgiu, trajava um longo vestido dourado, seus cabelos eram vermelhos e sua pele clara, os olhos estavam pintados e seu perfume adocicado tomou conta do ar do salão, o vestido tinha uma longa abertura nas costas e um decote generoso que acentuava os seios da mulher. Os três pararam de comer e apenas observaram a dama se achegar a mesa, Robs disfarçou a surpresa, Wellan errou a boca e borrou o rosto com molho, Phillipus deixou a sopa cair pelo canto da boca.
- Bela filha o senhor tem, conde! Comentou meio abobalhado o cavaleiro.
- Oh não, essa é minha esposa, a Condessa de Minalmar! Respondeu o Conde.
Phillipus se afogou e abaixou a cabeça para disfarçar, Wellan ficou com cara de paspalho e a boca aberta sem saber como consertar a gafe, já Robs balançou a cabeça e deu graças por Aderlius não estar ali, ou a situação poderia ser pior:
- Encantado senhora Condessa! Falou o paladino.
Depois disso o jantar continuou, Wellan não abriu mais a boca, coube a Robs e até a Phillipus contar um pouco sobre eles e se mostrarem interessados em ir atrás das esferas, eram aventureiros e honrados, e sabiam que se elas caíssem nas mãos de Mark, todo o mundo iria perecer sobre as trevas do mago que tinha um alto grau de conhecimento em magia negra.
- Bem, vocês vão precisar de mais soldados para irem atrás disso, estarei disponibilizando os melhores homens.
- Obrigado Conde, mas tenho certeza que ainda posso rastreá-los pela floresta, além do que, estamos atrás de um mago e um elfo da escuridão, quanto mais gente pior, eles logo saberão que estão sendo seguidos, iremos nós e veremos se eles são tão bons em combate cara a cara quanto são para emboscar. Comentou o ranger.
- Se Aderlius estiver recuperado partimos logo cedo, se ele não estiver, se recupera no caminho, partimos logo cedo de qualquer jeito. Afirmou Robs.
Assim que amanheceu, os quatro estavam prontos, Al Rinaldi lhes forneceu os cavalos, e o conde os suprimentos, Aderlius ainda não estava em sua melhor forma, Kalil pediu para ir junto, mas eles acharam melhor ele ficar (o que eles veriam que foi um erro), seria um dia e meio com uma pequena parada para um cochilo e uma refeição até o ponto onde foram emboscados, e dali para frente eles sabiam que nada estava garantido, nem mesmo suas vidas.
Continua...
sexta-feira, 30 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Parte 2 - A Emboscada
Levaram dois dias para que a tempestade cessa se completamente, dois intermináveis dias, em que todos os viajantes já não suportavam mais se ver nas tavernas, pousadas e dormitórios . Alguns partiram antes mesmo da tempestade dar trégua, é provável que nem todos chegaram ao seu destino. A tempestade parara de madrugada e assim que o sol novamente deu o ar de sua presença à vista dos olhos, os quatro amigos estavam de pé, tinham pressa e por isso correram arrumar seus apetrechos e armas, e claro, suprimentos.
A cidade estava uma loucura, Turque sempre foi meio agitada, mas naquela manhã estava demais, grupos de soldados, mercenários e toda espécie de clã espalhado pelas ruas e vielas, todos comprando alimento e roupas para a continuação da jornada. Muitos barcos mercantes e nobres começavam a adentrar o mar que havia acalmado da sua terrível agitação dos últimos dias, barcos pesqueiros também se destacavam em meio aquele emaranhado de velas que ao longe pareciam que iriam se chocar uns contra os outros. Em terra as mulheres e os filhos dos pescadores vendiam peixe seco conservado com sal grosso, ótimo para longas distâncias e que mantinham um sabor sem igual caso não se encontrasse pouso como ali durante a andança.
Al Rinaldi esperava os quatro junto a uma luxuosa carruagem puxada por quatro cavalos de raça nobre, uma carruagem que se destacava entre muitas que disputavam os espaços possíveis, junto dele estava um soldado vestido com muitos panos, inclusive sobre o rosto e com uma espécie de turbante como o que Al Rinaldi usava, portava uma espada um pouco diferente, meio curva e muito larga.
- Bom dia Sr. Robs! Bom dia senhores! Estão prontos para nossa caminhada? Dirigiu-se aos quatro que se aproximavam apressadamente do lugar onde estava.
- Bom dia Sr. Al Rinaldi! Respondeu o paladino ainda meio sonolento
Wellan ficou curioso com a estranha arma do soldado e puxou conversa com ele, enquanto o bárbaro e o ranger discutiam de qual raça seriam os cavalos.
- Os outros soldados não melhoraram? Perguntou Robs.
- Não, o braço do soldado infeccionou muito e o outro ainda está meio febril, os dois voltarão para nosso país assim que tiverem condições, mas acredito que vocês são homens experientes em escolta, até por que não há com o que se preocupar.
Al Rinaldi assobiou e mais quatro cavalos surgiram, grandes e fortes, eram as mais belas montarias que os quatro jamais haviam montado.
- São cavalos de meu país, o rei os mandou para que chegássemos o mais rápido possível ao destino desejado, infelizmente com a tempestade nem mesmo eles poderiam andar, mas agora verão que são os cavalos mais velozes que já montaram. Vocês sabem montar não é?
- Sim, hoje em dia todos nós sabemos montar. Respondeu Robs como que se lembrando de algo.
- Estarei deixando mais dois cavalos para os soldados que irão retornar para Nashaf. Comentou Al Rinaldi.
Cada um dos quatro arrumou sua montaria e suas mochilas e saíram pela cidade, algumas crianças que gostavam muito do bárbaro e do cavaleiro corriam atrás dos cavalos acenando e sorrindo, não que elas não gostassem do paladino e do ranger, mas é que o primeiro sempre as estava corrigindo e o segundo era muito sério e calado, e justamente os dois iam a frente da carruagem que era guiada pelo guerreiro da Al Rinaldi; Wellan e Aderlius iam atrás, e apesar de todo o aparato, todos iam muito rápido. A carruagem era digna de um fidalgo; os aventureiros não estranharam, pois eram acostumados a escoltar princesas e príncipes, condes e condessas, todos amigos seus ou filhos de amigos seus, era a primeira vez que escoltavam um desconhecido, mas isso não os incomodava.
Conforme a manhã adentrava o sol dava o ar de sua graça, muito ardido e pouco eficaz ao vento frio que soprava no rosto de todos, exceção claro de Al Rinaldi que estava dentro da luxuosa carruagem. O paladino mantinha o elmo fechado somente com os olhos de fora, o ranger a exemplo do soldado de Al Rinaldi amarrara panos no rosto e também somente os olhos estavam de fora, o bárbaro não ligava para o vento, pois vinha de uma terra gelada e suas peles de lobo no corpo eram suficientes, já o cavaleiro sofria, sem elmo e com o nariz escorrendo reclamava:
- Odeio frio, odeio vento, eu odeio isso, to congelando, meu nariz tá escorrendo e esse sol tá queimando minha pele igual brasa.
- Como você é fracote Wellan, um friozinho desses, fale menos e guie mais, ou ainda vai cair do cavalo. Disse Aderlius sorrindo acostumado as murmurações do cavaleiro.
Andaram durante toda a manhã e tarde, não pararam para comer nem tomar água, uma estrada os conduzia em meio à mata dos dois lados, que apesar do duro inverno ainda mantinham folhagens; quando o sol de despedia no horizonte o ranger levantou a mão e desacelerou sua montaria, as demais seguiram seu exemplo:
- Vamos parar, os cavalos estão cansados, e acredito, nós também, essa região tem boas clareiras e poderemos sair da estrada para nos acomodarmos no meio da floresta.
Acenderam uma fogueira e comeram um pouco de pão e peixe seco, beberam água, alimentaram os cavalos e se acomodaram todos próximos do calor, pois a temperatura havia caído drasticamente, Al Rinaldi entregou-lhes alguns cobertores que estavam em sua carruagem; o transporte do nobre havia sofrido pequenos danos ao entrar na clareira, porém era possível vê-los da estrada.
- Não é bom ficarmos expostos assim. Comentou o ranger.
- E você queria que guardássemos onde a carruagem, no bolso? Ironizou o cavaleiro.
- Sabíamos que não teríamos nenhuma pousada até o destino final, se continuarmos nesse ritmo, depois de amanhã à noite chegamos lá, adiantados meio dia. Disse Robs.
- Esses cavalos são realmente bons. Comentou Aderlius acomodado junto da sua montaria
- Ficarei de guarda no primeiro turno, depois é sua vez Aderlius! Disse Wellan se prontificando.
A noite foi calma e todos dormiram da melhor maneira possível naquela situação, as cobertas de Al Rinaldi se mostraram muito eficientes. Pela manhã Robs estava de guarda e todos levantaram e se arrumaram o mais rápido possível para continuarem o caminho. O dia estava nublado, porém o caminho continuou tranqüilo, a não ser por algo que incomodava o paladino:
- Phillipus, é melhor ficarmos alerta!
- Por que Robs, o que você tá sentindo?
- Sei lá, passamos por esse caminho diversas vezes e nunca senti um ar tão maligno!
- Mas não vimos ninguém, e somos peritos nessa região!
- Eu sei, pode ser apenas reflexo de nossa ultima aventura, de qualquer modo vamos ficar alerta!
O ranger sinalizou com a cabeça que sim e tocaram cada vez mais rápido os cavalos que pareciam não se cansarem.
A noite caiu novamente e a rotina se repetiu, mais uma vez tudo correu tranqüilo, se levantaram e continuaram o caminho:
- Esses cavalos nunca se cansam? Perguntou Aderlius a Kalil, o soldado de Al Rinaldi.
- São cavalos nobres, puro sangue treinados para esse tipo de situação.
- Quanto custa um desses?
- Mais do que todos nós iremos ganhar juntos.
Aderlius fez uma cara meio abobalhada e não perguntou mais nada, havia desenvolvido um laço de amizade com seu cavalo e já estava triste por ter de se despedir dele.
Não fazia muito tempo que eles haviam partido o ranger pediu para pararem.
- O que foi, por que parou? Questionou Al Rinaldi!
- Foi um dos contratados que parou.
- O que houve? Perguntou Al Rinaldi colocando a cabeça para fora da carruagem.
Wellan e Aderlius se olharam sem entender nada.
- Fique ai dentro senhor. Exclamou Phillipus.
- Você está sentindo alguma coisa Robs?
- A mesma sensação de ontem, não mudou, por quê?
- Orcs, posso farejá-los a quilômetros de distância, nojentos, sujos e pouco cuidadosos, estão por aí, dentro da floresta, e sabem que estamos aqui.
- Tem certeza? Essa região tem muitas criaturas pelas matas.
- O que aconteceu aí? Perguntou Aderlius.
Wellan já havia percebido o porquê da inquietação dos dois companheiros que estavam à frente da carruagem, escutara um barulho de galhos quebrando próximo da carruagem.
- Aderlius, estamos cercados, olhe dentro da mata.
- Por que não continuamos a estrada?
- Já ouviu falar em emboscada seu topeira?
- Do que você me chamou seu frangote?
Robs falou em um tom de autoridade para os dois companheiros que estavam atrás da carruagem:
- Estejam prontos!
Os companheiros giravam seus cavalos em trezentos e sessenta graus já com espada e machado em mãos, fosse quem estivesse para atacá-los havia exitado, seja por terem sido descobertos, seja por já conhecerem os aventureiros.
- Fique ai dentro Al Rinaldi, e Kalil, proteja seu patrão! Ordenou Phillipus.
Um grito de guerra rompeu da mata e um grande número das criaturas grotescas conhecidas como orcs se jogaram em batalha contra os quatro, Phillipus desceu do cavalo partindo a cabeça de um orc e cortando a garganta de outro, empunhava duas espadas curtas que faziam grande estrago apesar do seu tamanho, Robs desferiu um golpe poderoso em um orc que empunhava um machado lhe arrancando o braço fora, Aderlius investiu com a montaria e de uma vez derrubou quatro orcs, Wellan desceu do cavalo chutando a cabeça de um orc e esperando outros que saiam da mata. Mais de dez inimigos se encontravam no chão mortos ou agonizando e outros ainda surgiam do meio da densa mata.
- Morra caras de esterco! Gritou Wellan desferindo um golpe de baixo para cima em um orc e cravando a espada em outro.
Kalil estava se saindo muito bem, defendia a carruagem como se fosse sua família, um soldado dedicado, sua lâmina era muito afiada aponto de partir ao meio um orc, porém estava lutando com três ao mesmo tempo que pareciam ser mais espertos que os outros, um deles lhe infligiu um corte no braço direito, ele só trocou de mão e continuou a se defender, der repente os orcs viram uma grande sombra cair sobre eles, era Aderlius brandindo seu machado, saltou do cavalo e decapitou um dos ocs, os outros surpresos com o ataque abriram a guarda para Kalil desferir o golpe fatal.
- Robs, que tipo de orcs lutam assim, por que eles não fogem? Estão perdendo.
- Eu não sei Phillipus!
E quando finalmente o numero dos inimigos começara a diminuir, uma figura humanóide diferente dos orcs surgiu rapidamente dando uma voadora no peito de Phillipus que havia derrotado o ultimo orc que o cercava. Phillipus foi arremessado para trás e caiu no chão de forma violenta, o ser misterioso correu e deu-lhe um chute no rosto, tirou uma adaga da cintura e com o joelho na garganta do ranger iria desferir o golpe fatal, o que ele não contava era com a precisão do arremesso de Aderlius, que conseguiu lançar um orc moribundo contra o algoz de seu amigo, mas esse adversário se mostrou muito ágil, desviando-se de maneira acrobática, mas não tão rápido a ponto de desviar-se da investida do bárbaro que ocorreu em seguida, Aderlius arremessara o orc e já saira em disparada contra o misterioso inimigo, pegou-lhe pelo braço e jogou-lhe contra uma árvore, escutou-se um estralo de ossos quebrando e um gemido abafado, o ser ficara estatelado no chão e se arrastava para dentro da floresta.
Robs e Wellan haviam acabado de derrotar seus adversários definitivamente e corriam para interceptar o misterioso inimigo, quando se depararam com um homem de capuz roxo que estendeu a mão para Wellan e recitou as palavras:
- Cegueira.
Wellan que andava rápido tropeçou em uma raiz de árvore e caiu no chão tateando, pois a mais densa escuridão havia caído sobre seus olhos, então ele só pode gritar:
-Magia, cuidado!
Mas era tarde, apontando para Robs, o homem recitou:
- Ilusão!
O homem caminhou até Kalil e sussurrou:
- Medo!
Robs parecia estar lutando com algo terrível, mas para quem via a cena ele golpeava o ar e alguns galhos de árvore, enquanto Kalil sentia alguém puxando suas pernas para baixo e sua alma saindo corpo, caiu chorando feito uma criança e gritando por socorro. Enquanto isso Aderlius havia conseguido pegar o outro inimigo, levantou-lhe pelo braço e olhou em seus olhos, sua pele era negra como piche, e seus olhos amarelados e cheio de ódio:
- Um elfo negro? Sorriu o bárbaro.
Naquele dia o sol estava entre nuvens, porém o bárbaro bem sabia a fraqueza daquela criatura e o arrastou para o lugar mais claro da estrada, ele se debatia, procurando algo em sua cintura e resmungando num linguajar ininteligível.
O homem de capuz roxo chutou a porta da carruagem, Al Rinaldi estava lá, acuado:
-Me entregue à encomenda!
-Não posso, não sei o segredo do cofre!
-Isso não é problema! O homem de capuz jogou Al Rinaldi para fora da carruagem, e suas mão começaram a brilhar.
Ouviu-se um estrondo e o homem de capuz saiu caminhando com três esferas na mão que logo tratou de colocar em uma bolsa e amarra - lá na cintura, com o barulho Aderlius olhou para a carruagem que agora pegava fogo, Al Rinaldi tentava falar algo para Kalil, que gritava agonizantemente, Robs lançava frases de desafio às árvores e Wellan tateava o chão como um cego. Viu um homem de capuz se aproximar e largou o elfo para atacá-lo, então o elfo finalmente conseguiu tirar o que desejava da cintura e cravou-lhe no abdômen de Aderlius, que novamente se virou para ele e agora o pegou pelos cabelos e deu-lhe um chute no estomago, subitamente Aderlius se abaixou sentindo seu corpo queimar, parecia estar queimando por dentro, com sua visão embasada pode ver um homem de capuz roxo se aproximar, estender a mão ao elfo negro que se levantou e lhe deu um duro golpe no rosto, Aderlius caiu, agora estava paralisado, impassível, sua raiva só não era maior do que a dor, tentou se arrastar, mas tudo era inútil, seus dois adversários entraram na floresta e sumiram em meio a devaneios e finalmente não podendo mais lutar, Aderlius se entregou aos efeitos do veneno.
Continua...
A cidade estava uma loucura, Turque sempre foi meio agitada, mas naquela manhã estava demais, grupos de soldados, mercenários e toda espécie de clã espalhado pelas ruas e vielas, todos comprando alimento e roupas para a continuação da jornada. Muitos barcos mercantes e nobres começavam a adentrar o mar que havia acalmado da sua terrível agitação dos últimos dias, barcos pesqueiros também se destacavam em meio aquele emaranhado de velas que ao longe pareciam que iriam se chocar uns contra os outros. Em terra as mulheres e os filhos dos pescadores vendiam peixe seco conservado com sal grosso, ótimo para longas distâncias e que mantinham um sabor sem igual caso não se encontrasse pouso como ali durante a andança.
Al Rinaldi esperava os quatro junto a uma luxuosa carruagem puxada por quatro cavalos de raça nobre, uma carruagem que se destacava entre muitas que disputavam os espaços possíveis, junto dele estava um soldado vestido com muitos panos, inclusive sobre o rosto e com uma espécie de turbante como o que Al Rinaldi usava, portava uma espada um pouco diferente, meio curva e muito larga.
- Bom dia Sr. Robs! Bom dia senhores! Estão prontos para nossa caminhada? Dirigiu-se aos quatro que se aproximavam apressadamente do lugar onde estava.
- Bom dia Sr. Al Rinaldi! Respondeu o paladino ainda meio sonolento
Wellan ficou curioso com a estranha arma do soldado e puxou conversa com ele, enquanto o bárbaro e o ranger discutiam de qual raça seriam os cavalos.
- Os outros soldados não melhoraram? Perguntou Robs.
- Não, o braço do soldado infeccionou muito e o outro ainda está meio febril, os dois voltarão para nosso país assim que tiverem condições, mas acredito que vocês são homens experientes em escolta, até por que não há com o que se preocupar.
Al Rinaldi assobiou e mais quatro cavalos surgiram, grandes e fortes, eram as mais belas montarias que os quatro jamais haviam montado.
- São cavalos de meu país, o rei os mandou para que chegássemos o mais rápido possível ao destino desejado, infelizmente com a tempestade nem mesmo eles poderiam andar, mas agora verão que são os cavalos mais velozes que já montaram. Vocês sabem montar não é?
- Sim, hoje em dia todos nós sabemos montar. Respondeu Robs como que se lembrando de algo.
- Estarei deixando mais dois cavalos para os soldados que irão retornar para Nashaf. Comentou Al Rinaldi.
Cada um dos quatro arrumou sua montaria e suas mochilas e saíram pela cidade, algumas crianças que gostavam muito do bárbaro e do cavaleiro corriam atrás dos cavalos acenando e sorrindo, não que elas não gostassem do paladino e do ranger, mas é que o primeiro sempre as estava corrigindo e o segundo era muito sério e calado, e justamente os dois iam a frente da carruagem que era guiada pelo guerreiro da Al Rinaldi; Wellan e Aderlius iam atrás, e apesar de todo o aparato, todos iam muito rápido. A carruagem era digna de um fidalgo; os aventureiros não estranharam, pois eram acostumados a escoltar princesas e príncipes, condes e condessas, todos amigos seus ou filhos de amigos seus, era a primeira vez que escoltavam um desconhecido, mas isso não os incomodava.
Conforme a manhã adentrava o sol dava o ar de sua graça, muito ardido e pouco eficaz ao vento frio que soprava no rosto de todos, exceção claro de Al Rinaldi que estava dentro da luxuosa carruagem. O paladino mantinha o elmo fechado somente com os olhos de fora, o ranger a exemplo do soldado de Al Rinaldi amarrara panos no rosto e também somente os olhos estavam de fora, o bárbaro não ligava para o vento, pois vinha de uma terra gelada e suas peles de lobo no corpo eram suficientes, já o cavaleiro sofria, sem elmo e com o nariz escorrendo reclamava:
- Odeio frio, odeio vento, eu odeio isso, to congelando, meu nariz tá escorrendo e esse sol tá queimando minha pele igual brasa.
- Como você é fracote Wellan, um friozinho desses, fale menos e guie mais, ou ainda vai cair do cavalo. Disse Aderlius sorrindo acostumado as murmurações do cavaleiro.
Andaram durante toda a manhã e tarde, não pararam para comer nem tomar água, uma estrada os conduzia em meio à mata dos dois lados, que apesar do duro inverno ainda mantinham folhagens; quando o sol de despedia no horizonte o ranger levantou a mão e desacelerou sua montaria, as demais seguiram seu exemplo:
- Vamos parar, os cavalos estão cansados, e acredito, nós também, essa região tem boas clareiras e poderemos sair da estrada para nos acomodarmos no meio da floresta.
Acenderam uma fogueira e comeram um pouco de pão e peixe seco, beberam água, alimentaram os cavalos e se acomodaram todos próximos do calor, pois a temperatura havia caído drasticamente, Al Rinaldi entregou-lhes alguns cobertores que estavam em sua carruagem; o transporte do nobre havia sofrido pequenos danos ao entrar na clareira, porém era possível vê-los da estrada.
- Não é bom ficarmos expostos assim. Comentou o ranger.
- E você queria que guardássemos onde a carruagem, no bolso? Ironizou o cavaleiro.
- Sabíamos que não teríamos nenhuma pousada até o destino final, se continuarmos nesse ritmo, depois de amanhã à noite chegamos lá, adiantados meio dia. Disse Robs.
- Esses cavalos são realmente bons. Comentou Aderlius acomodado junto da sua montaria
- Ficarei de guarda no primeiro turno, depois é sua vez Aderlius! Disse Wellan se prontificando.
A noite foi calma e todos dormiram da melhor maneira possível naquela situação, as cobertas de Al Rinaldi se mostraram muito eficientes. Pela manhã Robs estava de guarda e todos levantaram e se arrumaram o mais rápido possível para continuarem o caminho. O dia estava nublado, porém o caminho continuou tranqüilo, a não ser por algo que incomodava o paladino:
- Phillipus, é melhor ficarmos alerta!
- Por que Robs, o que você tá sentindo?
- Sei lá, passamos por esse caminho diversas vezes e nunca senti um ar tão maligno!
- Mas não vimos ninguém, e somos peritos nessa região!
- Eu sei, pode ser apenas reflexo de nossa ultima aventura, de qualquer modo vamos ficar alerta!
O ranger sinalizou com a cabeça que sim e tocaram cada vez mais rápido os cavalos que pareciam não se cansarem.
A noite caiu novamente e a rotina se repetiu, mais uma vez tudo correu tranqüilo, se levantaram e continuaram o caminho:
- Esses cavalos nunca se cansam? Perguntou Aderlius a Kalil, o soldado de Al Rinaldi.
- São cavalos nobres, puro sangue treinados para esse tipo de situação.
- Quanto custa um desses?
- Mais do que todos nós iremos ganhar juntos.
Aderlius fez uma cara meio abobalhada e não perguntou mais nada, havia desenvolvido um laço de amizade com seu cavalo e já estava triste por ter de se despedir dele.
Não fazia muito tempo que eles haviam partido o ranger pediu para pararem.
- O que foi, por que parou? Questionou Al Rinaldi!
- Foi um dos contratados que parou.
- O que houve? Perguntou Al Rinaldi colocando a cabeça para fora da carruagem.
Wellan e Aderlius se olharam sem entender nada.
- Fique ai dentro senhor. Exclamou Phillipus.
- Você está sentindo alguma coisa Robs?
- A mesma sensação de ontem, não mudou, por quê?
- Orcs, posso farejá-los a quilômetros de distância, nojentos, sujos e pouco cuidadosos, estão por aí, dentro da floresta, e sabem que estamos aqui.
- Tem certeza? Essa região tem muitas criaturas pelas matas.
- O que aconteceu aí? Perguntou Aderlius.
Wellan já havia percebido o porquê da inquietação dos dois companheiros que estavam à frente da carruagem, escutara um barulho de galhos quebrando próximo da carruagem.
- Aderlius, estamos cercados, olhe dentro da mata.
- Por que não continuamos a estrada?
- Já ouviu falar em emboscada seu topeira?
- Do que você me chamou seu frangote?
Robs falou em um tom de autoridade para os dois companheiros que estavam atrás da carruagem:
- Estejam prontos!
Os companheiros giravam seus cavalos em trezentos e sessenta graus já com espada e machado em mãos, fosse quem estivesse para atacá-los havia exitado, seja por terem sido descobertos, seja por já conhecerem os aventureiros.
- Fique ai dentro Al Rinaldi, e Kalil, proteja seu patrão! Ordenou Phillipus.
Um grito de guerra rompeu da mata e um grande número das criaturas grotescas conhecidas como orcs se jogaram em batalha contra os quatro, Phillipus desceu do cavalo partindo a cabeça de um orc e cortando a garganta de outro, empunhava duas espadas curtas que faziam grande estrago apesar do seu tamanho, Robs desferiu um golpe poderoso em um orc que empunhava um machado lhe arrancando o braço fora, Aderlius investiu com a montaria e de uma vez derrubou quatro orcs, Wellan desceu do cavalo chutando a cabeça de um orc e esperando outros que saiam da mata. Mais de dez inimigos se encontravam no chão mortos ou agonizando e outros ainda surgiam do meio da densa mata.
- Morra caras de esterco! Gritou Wellan desferindo um golpe de baixo para cima em um orc e cravando a espada em outro.
Kalil estava se saindo muito bem, defendia a carruagem como se fosse sua família, um soldado dedicado, sua lâmina era muito afiada aponto de partir ao meio um orc, porém estava lutando com três ao mesmo tempo que pareciam ser mais espertos que os outros, um deles lhe infligiu um corte no braço direito, ele só trocou de mão e continuou a se defender, der repente os orcs viram uma grande sombra cair sobre eles, era Aderlius brandindo seu machado, saltou do cavalo e decapitou um dos ocs, os outros surpresos com o ataque abriram a guarda para Kalil desferir o golpe fatal.
- Robs, que tipo de orcs lutam assim, por que eles não fogem? Estão perdendo.
- Eu não sei Phillipus!
E quando finalmente o numero dos inimigos começara a diminuir, uma figura humanóide diferente dos orcs surgiu rapidamente dando uma voadora no peito de Phillipus que havia derrotado o ultimo orc que o cercava. Phillipus foi arremessado para trás e caiu no chão de forma violenta, o ser misterioso correu e deu-lhe um chute no rosto, tirou uma adaga da cintura e com o joelho na garganta do ranger iria desferir o golpe fatal, o que ele não contava era com a precisão do arremesso de Aderlius, que conseguiu lançar um orc moribundo contra o algoz de seu amigo, mas esse adversário se mostrou muito ágil, desviando-se de maneira acrobática, mas não tão rápido a ponto de desviar-se da investida do bárbaro que ocorreu em seguida, Aderlius arremessara o orc e já saira em disparada contra o misterioso inimigo, pegou-lhe pelo braço e jogou-lhe contra uma árvore, escutou-se um estralo de ossos quebrando e um gemido abafado, o ser ficara estatelado no chão e se arrastava para dentro da floresta.
Robs e Wellan haviam acabado de derrotar seus adversários definitivamente e corriam para interceptar o misterioso inimigo, quando se depararam com um homem de capuz roxo que estendeu a mão para Wellan e recitou as palavras:
- Cegueira.
Wellan que andava rápido tropeçou em uma raiz de árvore e caiu no chão tateando, pois a mais densa escuridão havia caído sobre seus olhos, então ele só pode gritar:
-Magia, cuidado!
Mas era tarde, apontando para Robs, o homem recitou:
- Ilusão!
O homem caminhou até Kalil e sussurrou:
- Medo!
Robs parecia estar lutando com algo terrível, mas para quem via a cena ele golpeava o ar e alguns galhos de árvore, enquanto Kalil sentia alguém puxando suas pernas para baixo e sua alma saindo corpo, caiu chorando feito uma criança e gritando por socorro. Enquanto isso Aderlius havia conseguido pegar o outro inimigo, levantou-lhe pelo braço e olhou em seus olhos, sua pele era negra como piche, e seus olhos amarelados e cheio de ódio:
- Um elfo negro? Sorriu o bárbaro.
Naquele dia o sol estava entre nuvens, porém o bárbaro bem sabia a fraqueza daquela criatura e o arrastou para o lugar mais claro da estrada, ele se debatia, procurando algo em sua cintura e resmungando num linguajar ininteligível.
O homem de capuz roxo chutou a porta da carruagem, Al Rinaldi estava lá, acuado:
-Me entregue à encomenda!
-Não posso, não sei o segredo do cofre!
-Isso não é problema! O homem de capuz jogou Al Rinaldi para fora da carruagem, e suas mão começaram a brilhar.
Ouviu-se um estrondo e o homem de capuz saiu caminhando com três esferas na mão que logo tratou de colocar em uma bolsa e amarra - lá na cintura, com o barulho Aderlius olhou para a carruagem que agora pegava fogo, Al Rinaldi tentava falar algo para Kalil, que gritava agonizantemente, Robs lançava frases de desafio às árvores e Wellan tateava o chão como um cego. Viu um homem de capuz se aproximar e largou o elfo para atacá-lo, então o elfo finalmente conseguiu tirar o que desejava da cintura e cravou-lhe no abdômen de Aderlius, que novamente se virou para ele e agora o pegou pelos cabelos e deu-lhe um chute no estomago, subitamente Aderlius se abaixou sentindo seu corpo queimar, parecia estar queimando por dentro, com sua visão embasada pode ver um homem de capuz roxo se aproximar, estender a mão ao elfo negro que se levantou e lhe deu um duro golpe no rosto, Aderlius caiu, agora estava paralisado, impassível, sua raiva só não era maior do que a dor, tentou se arrastar, mas tudo era inútil, seus dois adversários entraram na floresta e sumiram em meio a devaneios e finalmente não podendo mais lutar, Aderlius se entregou aos efeitos do veneno.
Continua...
domingo, 18 de abril de 2010
Parte 1 - O Recanto do Tião
A aventura caro leitor começa em um ambiente típico de histórias como essa, uma grande taverna, pouco iluminada e com muitos indivíduos mal encarados, era uma noite atípica no Recanto do Tião, não que ela não fosse sempre cheia, afinal a cidade de Turque era uma cidade costeira, sendo assim muitos viajantes sempre estavam de passagem com os mais variados objetivos, desde o mais nobre até o mais vil, e ali era o local ideal para traçar planos e também descansar, claro. Era inverno, e há dois dias o sol ardido ainda queimava a pele e judiava dos pescadores e viajantes daquelas paragens, mas da noite para o dia, uma forte tempestade de neve teve inicio, o mar também se agitava muito, e por esse motivo os viajantes que estavam só de passagem tiveram de ficar por ali, existiam outras “pousadas” menores, mas já estavam todas ocupadas e a maioria não oferecia boa diversão como o Recanto do Tião. Em um canto iluminado por duas velas se encontram nossos quatro aventureiros, quatro amigos, discretos a toda a confusão, bebedeira e prostitutas em busca de homens de títulos. O primeiro, sentado de frente para a parede, tinha uma bela armadura com símbolos religiosos e parecia incomodado com algo devido a sua inquietação, o segundo era loiro de cabelos compridos, de aparência franzina, vestia uma armadura de couro batida esverdeada e parecia se divertir analisando folhas de arvores, o terceiro, também vestia uma armadura como o primeiro, menos nobre, mas não menos de destaque, havia um brasão nos dois braços, estava quieto, o que era raro, e sem o elmo, dirigia um olhar frio a um dos homens que pareciam se esconder em um canto escuro da taverna, o quarto era um homem grande e musculoso de cabelos negros e médios, não usava armadura, vestia uma calça de couro e um blusão de peles de lobo, bebia o sexto jarro da bebida da casa e sua fisionomia delatava que logo iria tombar se não parasse.
O primeiro era Robs Slayter, um paladino fiel em seus caminhos e pregador dos bons costumes, ótimo com sua gigantesca espada, a “Matadora de demônios”; o segundo era Phillipus Yankass, um ranger quieto e muito astuto, sua aparência franzina não condizia com suas habilidades no campo de batalha, se lhe faltava músculos, sua velocidade compensava, era perito em o arco; o terceiro era Wellan Sarctos, cavaleiro sem senhor, falador e com senso de justiça próprio, sua honra estava acima de tudo, carregava uma espada menor que a do paladino; o quarto era Aderlius Max, um bárbaro de força descomunal que manobrava seu machado de dois lados como poucos no mundo, seu coração era tão grande quanto seus músculos, era talvez o mais “sensível” do grupo, fiel aos amigos; cada um tinha sua história, seus objetivos e motivações, não concordavam em tudo, mas andavam juntos por que sabiam que podiam confiar um no outro, coisa difícil nos dias de hoje, pesava também o fato de terem um inimigo em comum: Mark, um poderoso Mago, respeitado nos círculos da magia e entre as altas castas sociais, seus objetivos inescrupulosos só evidenciavam seu caráter totalmente maligno.
- Eu não deveria estar aqui, isso não é lugar para um paladino! Resmungou Robs.
- Aproveita pra pregar pras esses coitados, seu deus não é misericordioso? Disparou Phillipus.
- Como vou pregar nesse lugar, o pessoal está todo bêbado –parou um pouco e olhou para o lado- e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, quem iria prestar atenção em mim?
- Onde está sua fé amigo? Perguntou Wellan.
- Quer saber, se não fosse pelo Poderoso todos nós já estaríamos mortos!
- Eu não duvido amigo, apenas perguntei de sua fé, afinal este é um bom lugar para se pregar esperança.
- Você pode até estar certo... e, por que está olhando tão fixamente para aquele canto, o que está pensando caro cavaleiro?
- Se não estou enganado tem um homem lá, e ele é acusado de estupro!
- Oh, como se não estivéssemos no meio de gente de todo tipo, dá um tempo Wellan! Falou ironicamente Phillipus.
- Se há outros estupradores aqui eu não sei, mas aquele eu sei que é, e ele deve ser punido pelo seu crime, vai sentir o peso da minha mão!
- Ei, espera aí, não vá nos meter em confusão! Reclamou o ranger.
- Você não pode sair por aí aplicando sua sentença sem provas, isso não é certo. Falou o paladino.
- Eu vi, tenho provas, meus olhos são testemunha, pronto, não precisa de mais nada.
- É por isso que você nunca conseguiu entrar para a Ordem. Disse o paladino olhando nos olhos do cavaleiro.
Wellan suspirou, e quando iria responder, Phillipus disparou:
- Além do mais, se você se meter em confusão novamente vamos te deixar sozinho, está muito frio lá fora e eu não estou nem um pouco a fim de morrer congelado nessa tempestade por sua causa.
O cavaleiro recostou-se na cadeira de braços cruzados emburrado e resmungando.
O bárbaro parecia alheio a tudo o que falavam, Aderlius não era muito forte para bebida, mas como a especialidade da casa “Baba de lagarto” era muito doce, toma-se sem se perceber seus efeitos, efeitos esses que eram evidentes pela fisionomia do bárbaro.
A noite adentrava e os quatro amigos se deliciavam com uma bela carne de javali, especiaria cara, não era qualquer um que conseguia pagar uma carne tão bem preparada como aquela, o que chamava à atenção de alguns homens que freqüentavam a taverna naquela mesma noite, até por que as roupas e armaduras dos nossos aventureiros não era comum, e isso também era bom, pois ninguém iria querer roubar-lhes ali, talvez mais tarde quando fossem dormir isso seria possível, de qualquer modo aventureiros experientes dormem de “olhos abertos”. Não era permitido entrar no Recanto do Tião portando armas, elas ficavam em uma espécie de guarda volumes protegida por dois brutamontes e um segredo dado a cada viajante, sem o qual era impossível tirar as armas sem uma pequena alfinetada de veneno.
Um homem com vestes nobres e usando um turbante adentrou o Recanto, deu uma olhada ao redor e logo foi se aproximando da mesa de nossos aventureiros, o homem possuía um ar aristocrático e sem cerimônias dirigiu a palavra num sotaque arrastado:
- São vocês os homens que fizeram a escolta da Princesa Linara?
O paladino muito educado cumprimentou o homem e acenando com a cabeça fez um gesto para o homem sentar-se.
- Não tem lugar pra cinco nessa mesa, vai ficar apertado! Resmungou o cavaleiro.
O ranger por sua vez desconfiado, apesar de não portar armas visíveis sempre carregava algumas setas de flecha no cinto e quando necessário os colocava entre os dedos para uma emergência, o bárbaro, bem, o bárbaro sorriu para o homem e fez um gesto de saúde erguendo sua jarra de Baba de Lagarto.
- Deixe de ser rabugento Wellan, perdoe os maus modos de meu amigo, sempre há lugar para mais um em nossa mesa! Disse o paladino cordialmente.
- Obrigado Sr..!?
- Robs, a sua disposição!
- Obrigado Sr. Robs, meu nome é Al Rinaldi, e prefiro ficar em pé, tenho uma missão, uma escolta e como vocês são homens acostumados a escoltar nobres, ao menos foi isso que me informaram, gostaria de vermos a possibilidade de estarem me escoltando.
- Bem, está caindo uma baita de uma tempestade lá fora, não estamos dispostos a viajar assim, seria suicídio. Respondeu o paladino.
- Ó não homem santo, viajaremos assim que esse mau tempo passar, para andar uns cinqüenta metros da pousada onde estou até aqui foi como andar na mais densa escuridão.
- E por que nos escolheu para essa missão? A cidade está cheia de boas escoltas, estão todos esperando o mal tempo passar! Questionou o ranger sem olhar para o homem.
- Estou viajando a três semanas, e faltam apenas quatro dias para meu destino final, há três dias fomos emboscados na Ponte do Desespero, eu tinha uma escolta de cinco cavaleiros, bons soldados, nessa emboscada dois deles tombaram em combate, dos três que restaram um está com um ferimento grave em um dos braços, outro caiu de cama com uma febre alta assim que chegamos a cidade ontem a tarde, desde então tenho procurado bons homens para esta empreitada, mas o preço que estão cobrando é muito alto, talvez com vocês eu possa negociar.
- E por que acha que cobraríamos menos, temos cara de quem tá precisando de esmola? Falou asperamente o cavaleiro!
O homem sem esboçar qualquer reação respondeu:
- Estou levando uma encomenda para o Conde de Minalmar e ele sempre é muito generoso para com os soldados que escoltam suas entregas, mas não sei como ele irá proceder, só posso prometer o que me foi autorizado, além do mais estou levando algo que será benéfico para todos os povos, ao menos foi isso que me disseram quando iniciei a empreita.
- Como assim, me disseram? Você não sabe o que leva? Questionou o paladino com ar de preocupado
- Sou apenas um Ministro da terra de Nashaf, meu Rei me incumbiu disso, eu não questiono meu Rei. Posso pagar a vocês o equivalente a quinze dias de trabalho por esses quatro dias.
Esfregando sua barba na altura do queixo com a mão direita, Robs raciocinava:
- Bem, Minalmar fica no sul, estamos indo para lá, acho que podemos aceitar, quer dizer, o que vocês acham? Disse gesticulando com a cabeça para os companheiros.
- Se está na nossa rota, por mim tudo bem! Aceitou Wellan.
Phillipus fez um aceno de sim com a cabeça.
Todos se voltaram para o bárbaro sem muita esperança de que houvesse entendido, e ele soltou um arroto gutural em direção aos companheiros.
- Nossa cara, o que você comeu? Carniça? Disse o cavaleiro levantando-se da cadeira!
- Que é isso Aderlius, na minha cara! Indignou-se o ranger, que também se levantou.
Os dois pegaram o bárbaro cada um de um lado.
- Vamos lá amigão, já tomou demais!
- É, não vai querer passar vergonha novamente não é?
E os três se retiraram do recinto para seus dormitórios em meio a muitos olhares.
- Perdoe os modos de meus amigos – disse o paladino meio sem jeito – garanto que são ótimas pessoas, e ótimos guerreiros.
- Tudo bem, estou acostumado, eu e os soldados estamos hospedados ali na Pousada Dragão Azul, estarei lá na frente pela manhã, caso a tempestade não passe até lá, assim que o tempo melhorar enviarei um dos soldados para os chamarem Sr. Robs.
Os dois se cumprimentaram, Al Rinaldi saiu pela porta tão rápido quanto entrou, o paladino também aproveitou para retirar-se daquele ambiente e ter um pouco de descanso, os dias anteriores haviam sido duros, e essa empreitada parecia ser fácil, mesmo que meio obscura. Naquela noite, cada um em seu dormitório teve um agradável tempo de sono, proporcionado pela tempestade, pois não estava em seus planos ficar por ali aquela noite.
O que nenhum deles percebeu é que um olhar malicioso se voltou para eles assim que Al Rinaldi se achegou a mesa e esse mesmo olhar os acompanhou até que saíssem do salão.
Continua...
O primeiro era Robs Slayter, um paladino fiel em seus caminhos e pregador dos bons costumes, ótimo com sua gigantesca espada, a “Matadora de demônios”; o segundo era Phillipus Yankass, um ranger quieto e muito astuto, sua aparência franzina não condizia com suas habilidades no campo de batalha, se lhe faltava músculos, sua velocidade compensava, era perito em o arco; o terceiro era Wellan Sarctos, cavaleiro sem senhor, falador e com senso de justiça próprio, sua honra estava acima de tudo, carregava uma espada menor que a do paladino; o quarto era Aderlius Max, um bárbaro de força descomunal que manobrava seu machado de dois lados como poucos no mundo, seu coração era tão grande quanto seus músculos, era talvez o mais “sensível” do grupo, fiel aos amigos; cada um tinha sua história, seus objetivos e motivações, não concordavam em tudo, mas andavam juntos por que sabiam que podiam confiar um no outro, coisa difícil nos dias de hoje, pesava também o fato de terem um inimigo em comum: Mark, um poderoso Mago, respeitado nos círculos da magia e entre as altas castas sociais, seus objetivos inescrupulosos só evidenciavam seu caráter totalmente maligno.
- Eu não deveria estar aqui, isso não é lugar para um paladino! Resmungou Robs.
- Aproveita pra pregar pras esses coitados, seu deus não é misericordioso? Disparou Phillipus.
- Como vou pregar nesse lugar, o pessoal está todo bêbado –parou um pouco e olhou para o lado- e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, quem iria prestar atenção em mim?
- Onde está sua fé amigo? Perguntou Wellan.
- Quer saber, se não fosse pelo Poderoso todos nós já estaríamos mortos!
- Eu não duvido amigo, apenas perguntei de sua fé, afinal este é um bom lugar para se pregar esperança.
- Você pode até estar certo... e, por que está olhando tão fixamente para aquele canto, o que está pensando caro cavaleiro?
- Se não estou enganado tem um homem lá, e ele é acusado de estupro!
- Oh, como se não estivéssemos no meio de gente de todo tipo, dá um tempo Wellan! Falou ironicamente Phillipus.
- Se há outros estupradores aqui eu não sei, mas aquele eu sei que é, e ele deve ser punido pelo seu crime, vai sentir o peso da minha mão!
- Ei, espera aí, não vá nos meter em confusão! Reclamou o ranger.
- Você não pode sair por aí aplicando sua sentença sem provas, isso não é certo. Falou o paladino.
- Eu vi, tenho provas, meus olhos são testemunha, pronto, não precisa de mais nada.
- É por isso que você nunca conseguiu entrar para a Ordem. Disse o paladino olhando nos olhos do cavaleiro.
Wellan suspirou, e quando iria responder, Phillipus disparou:
- Além do mais, se você se meter em confusão novamente vamos te deixar sozinho, está muito frio lá fora e eu não estou nem um pouco a fim de morrer congelado nessa tempestade por sua causa.
O cavaleiro recostou-se na cadeira de braços cruzados emburrado e resmungando.
O bárbaro parecia alheio a tudo o que falavam, Aderlius não era muito forte para bebida, mas como a especialidade da casa “Baba de lagarto” era muito doce, toma-se sem se perceber seus efeitos, efeitos esses que eram evidentes pela fisionomia do bárbaro.
A noite adentrava e os quatro amigos se deliciavam com uma bela carne de javali, especiaria cara, não era qualquer um que conseguia pagar uma carne tão bem preparada como aquela, o que chamava à atenção de alguns homens que freqüentavam a taverna naquela mesma noite, até por que as roupas e armaduras dos nossos aventureiros não era comum, e isso também era bom, pois ninguém iria querer roubar-lhes ali, talvez mais tarde quando fossem dormir isso seria possível, de qualquer modo aventureiros experientes dormem de “olhos abertos”. Não era permitido entrar no Recanto do Tião portando armas, elas ficavam em uma espécie de guarda volumes protegida por dois brutamontes e um segredo dado a cada viajante, sem o qual era impossível tirar as armas sem uma pequena alfinetada de veneno.
Um homem com vestes nobres e usando um turbante adentrou o Recanto, deu uma olhada ao redor e logo foi se aproximando da mesa de nossos aventureiros, o homem possuía um ar aristocrático e sem cerimônias dirigiu a palavra num sotaque arrastado:
- São vocês os homens que fizeram a escolta da Princesa Linara?
O paladino muito educado cumprimentou o homem e acenando com a cabeça fez um gesto para o homem sentar-se.
- Não tem lugar pra cinco nessa mesa, vai ficar apertado! Resmungou o cavaleiro.
O ranger por sua vez desconfiado, apesar de não portar armas visíveis sempre carregava algumas setas de flecha no cinto e quando necessário os colocava entre os dedos para uma emergência, o bárbaro, bem, o bárbaro sorriu para o homem e fez um gesto de saúde erguendo sua jarra de Baba de Lagarto.
- Deixe de ser rabugento Wellan, perdoe os maus modos de meu amigo, sempre há lugar para mais um em nossa mesa! Disse o paladino cordialmente.
- Obrigado Sr..!?
- Robs, a sua disposição!
- Obrigado Sr. Robs, meu nome é Al Rinaldi, e prefiro ficar em pé, tenho uma missão, uma escolta e como vocês são homens acostumados a escoltar nobres, ao menos foi isso que me informaram, gostaria de vermos a possibilidade de estarem me escoltando.
- Bem, está caindo uma baita de uma tempestade lá fora, não estamos dispostos a viajar assim, seria suicídio. Respondeu o paladino.
- Ó não homem santo, viajaremos assim que esse mau tempo passar, para andar uns cinqüenta metros da pousada onde estou até aqui foi como andar na mais densa escuridão.
- E por que nos escolheu para essa missão? A cidade está cheia de boas escoltas, estão todos esperando o mal tempo passar! Questionou o ranger sem olhar para o homem.
- Estou viajando a três semanas, e faltam apenas quatro dias para meu destino final, há três dias fomos emboscados na Ponte do Desespero, eu tinha uma escolta de cinco cavaleiros, bons soldados, nessa emboscada dois deles tombaram em combate, dos três que restaram um está com um ferimento grave em um dos braços, outro caiu de cama com uma febre alta assim que chegamos a cidade ontem a tarde, desde então tenho procurado bons homens para esta empreitada, mas o preço que estão cobrando é muito alto, talvez com vocês eu possa negociar.
- E por que acha que cobraríamos menos, temos cara de quem tá precisando de esmola? Falou asperamente o cavaleiro!
O homem sem esboçar qualquer reação respondeu:
- Estou levando uma encomenda para o Conde de Minalmar e ele sempre é muito generoso para com os soldados que escoltam suas entregas, mas não sei como ele irá proceder, só posso prometer o que me foi autorizado, além do mais estou levando algo que será benéfico para todos os povos, ao menos foi isso que me disseram quando iniciei a empreita.
- Como assim, me disseram? Você não sabe o que leva? Questionou o paladino com ar de preocupado
- Sou apenas um Ministro da terra de Nashaf, meu Rei me incumbiu disso, eu não questiono meu Rei. Posso pagar a vocês o equivalente a quinze dias de trabalho por esses quatro dias.
Esfregando sua barba na altura do queixo com a mão direita, Robs raciocinava:
- Bem, Minalmar fica no sul, estamos indo para lá, acho que podemos aceitar, quer dizer, o que vocês acham? Disse gesticulando com a cabeça para os companheiros.
- Se está na nossa rota, por mim tudo bem! Aceitou Wellan.
Phillipus fez um aceno de sim com a cabeça.
Todos se voltaram para o bárbaro sem muita esperança de que houvesse entendido, e ele soltou um arroto gutural em direção aos companheiros.
- Nossa cara, o que você comeu? Carniça? Disse o cavaleiro levantando-se da cadeira!
- Que é isso Aderlius, na minha cara! Indignou-se o ranger, que também se levantou.
Os dois pegaram o bárbaro cada um de um lado.
- Vamos lá amigão, já tomou demais!
- É, não vai querer passar vergonha novamente não é?
E os três se retiraram do recinto para seus dormitórios em meio a muitos olhares.
- Perdoe os modos de meus amigos – disse o paladino meio sem jeito – garanto que são ótimas pessoas, e ótimos guerreiros.
- Tudo bem, estou acostumado, eu e os soldados estamos hospedados ali na Pousada Dragão Azul, estarei lá na frente pela manhã, caso a tempestade não passe até lá, assim que o tempo melhorar enviarei um dos soldados para os chamarem Sr. Robs.
Os dois se cumprimentaram, Al Rinaldi saiu pela porta tão rápido quanto entrou, o paladino também aproveitou para retirar-se daquele ambiente e ter um pouco de descanso, os dias anteriores haviam sido duros, e essa empreitada parecia ser fácil, mesmo que meio obscura. Naquela noite, cada um em seu dormitório teve um agradável tempo de sono, proporcionado pela tempestade, pois não estava em seus planos ficar por ali aquela noite.
O que nenhum deles percebeu é que um olhar malicioso se voltou para eles assim que Al Rinaldi se achegou a mesa e esse mesmo olhar os acompanhou até que saíssem do salão.
Continua...
Seja Bem-Vindo!!!
Bem, como nem só de crítica (e realidade) vivemos, estou criando esse espaço para publicar histórias sobre quatro amigos em um mundo totalmente fictício, se você conhece o jogo de RPG vai familiarizar-se facilmente, caso contrário estará conhecendo um novo mundo em todos os aspectos, cheio de criaturas fantásticas, elfos, centauros, duendes, orcs e outras criaturas típicas desses lugares. Criei esse mundo só para contar minhas histórias com total liberdade. Espero que goste das aventuras e divulgue para os seus amigos, me ajude a divulgar minha arte. Se houver sugestões, críticas e claro, elogios, sinta-se a vontade. Gostaria de dizer também que houve uma pessoa que muito me pediu para voltar a publicar esse tipo de história, por isso dedico essa história de apresentação ao meu maior fã, meu primo Fernando, essa história é pra você cara!
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