quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Parte 8 - Dois Caminhos

Fujin observou a parede mais uma vez, coçou a cabeça e continuou imerso em suas divagações, Phillipus parecia um pouco cansado e sentou-se em uma cadeira que sobrou inteira, Robs passava a mão na barba e balbuciava para si mesmo algumas palavras, o bárbaro procurava qualquer coisa que pudesse revelar o paradeiro do suposto mago que entrara na parede, ou melhor, por uma porta na parede, ao menos assim Wellan havia descrito. Olhou ao redor e viu que algo ainda se mexia em meio alguns encapuzados mortos, era o velho atendente do bar, Aderlius pegou o homem pelo braço e o arrastou apontando para a parede:
- Tem alguma porta aqui? Por que se não tiver eu vou fazer uma usando a sua cabeça!
O homem tremia de medo e começou a gaguejar, Aderlius estava ficando impaciente:
- Seu cagão, fale como homem, ou, antes de abrir uma porta nessa parede com sua cabeça, vou arrancar sua língua!
Fujin se aproximou:
- Como faço para entrar, apenas responda e nada vai lhe acontecer!
- E-e-e-eu n-n-nãão sei, é mágica, eu só trabalho aqui, nãão sei de nada, juro, juro pelo que há de mais sagrado nesse mundo!
- Bom, sendo assim, vamos ter que criar uma usando sua cabeça, hehehehe! Comentou o bárbaro.
O homem começou a gritar e chorar implorando por sua vida, Robs não agüentou e interveio:
- Largue o homem Aderlius, ele não sabe de nada, é um coitado, guarde suas forças para enfrentar esse tal de Igwar.
Aderlius podia ser feroz na batalha, mas costuma dar ouvido aos amigos mesmo quando o sangue estava quente, nem sempre fazia de bom grado, mas era um bom companheiro de caminhadas justamente por isso, não era tão cabeça dura quanto parecia. Jogou o homem em um canto e encarou o paladino para ver se seu amigo tinha alguma idéia, Robs sabendo do temperamento do amigo apenas disse:
- Se você está com tanta raiva assim, pegue algo que possa causar estrago e arrebente essa parede!
- Nossa, que grande idéia Robs, eu ainda não tinha pensado nisso! Desdenhou o bárbaro.
- Sua idéia não é de todo ruim paladino – comentou Felon que até aquele momento apenas havia estudado a parede – porém, ao batermos nela o som que se produz é de rocha maciça, golpeá-la com força pode não ser muito agradável.
- E se for mágica, e se existir uma porta aí e nós não consigamos enxergá-la? Perguntou Robs.
Pouco segundos depois uma cadeira voou passando rente a cabeça do paladino e dos dois elfos se espatifando na parede, olharam para trás, Phillipus estava sentado no chão e Aderlius pronto para dizer algo:
- Em vez de ficar de “nhenhenhe” por que não fazemos algo que preste, essa porcaria de porta não vai abrir, nem sabemos se existe uma porta aí de verdade, vamos procurar outra entrada.
- Igwar já deve ter fugido para longe, até encontrarmos outra entrada, se é que ela existe será tarde demais. Comentou desanimado Fujin.
- Não sei, ainda sinto uma forte presença maligna nesse local – disse o paladino parando como que se estivesse lembrando algo – espera aí, os homens de capuzes que foram massacrados pelos elfos correram por aquele corredor subterrâneo, me lembro de ter sentido uma presença maligna como a que sinto agora, na hora tinha tanto ódio no lugar que achei que era o sentimento do momento, mas essa “presença” continua a me incomodar, parece estar tentando se camuflar!
- Então vamos para o corredor! Felon faça o que saber fazer de melhor além de disparar flechas, Phillipus, chame Tailan, vocês dois me acompanhem! Ordenou Fujin.
Felon entrou no corredor e caminhou rapidamente, o bárbaro fez menção de segui-lo, mas Fujin o impediu:
- Calma aí, eu disse para vir atrás de mim, Felon é um ótimo batedor, com certeza se tiver algo ou alguém por aí ele vai descobrir, nós vamos indo também, mas mais devagar.
Do lado de fora da antiga taverna, os elfos restantes vasculhavam as habitações do seus antigos algozes, se espalharam, a maioria foi para a porta, Fujin ordenara que guardassem o lugar e não permitissem que outros elferrs entrassem se acaso surgissem; Wellan estava sentado ao lado das duas elfas e Tailan, estava com muitas dores, e sem condições de combate, olhou em seu braço e finalmente poderia esclarecer a duvida que o afligia:
- O que é esse bracelete que vocês colocaram em meu braço?
- Usamos braceletes e tiaras com proteção contra encantamentos e feitiços, os comandos de quem os lança ficam nulos, porém não funciona contra ataques mágicos, usamos isso para não nos tornarmos escravas involuntariamente.
- E por que eles não tiraram de vocês?
- Eles não conseguem enxergar, na verdade, qualquer ser de má índole não consegue enxergar!
- Interessante! Vocês mesmos que fazem?
Tailan respondeu:
- Não, isso são artefatos antigos, a arte é rara, e apenas dois elfos que caminham sobre esse mundo a conhecem, nosso povoado era o único no qual todos habitantes tinham pelo menos um, mas agora, depois de tudo que aconteceu... O elfo abaixou a cabeça e ficou em silêncio.
Wellan deu uma golada em um cantil que encontrou em meio aos corpos, era água pura, havia testado de todas as formas possível antes de toma - lá, mas não dava para saber se estava envenenada ou não, pediu proteção divina e virou, esperou alguns segundos, agradeceu e bebeu o resto, olhou para as elfas e para Tailan, iria falar algo quando Phillipus apontou na porta e chamou o elfo:
- Não consegue lutar mesmo Wellan?
- Eu tô com cara de quem consegue lutar?
- Sei lá, você tá sempre de cara feia! Respondeu o ranger e entrou rapidamente para não ouvir a resposta de Wellan.
- Engraçadinho, aiaiaia, acho que devo ter quebrado algumas costelas!
- Você foi muito corajoso nos protegendo lá dentro, é difícil esperar uma atitude dessas de um humano!
- Talvez vocês tenham referências errada de humanos, mas eu e meus amigos estamos sempre prontos a defender seres inocentes ou indefesos, talvez isso seja até blábláblá, mas é por isso que vivemos, esse mundo está louco, o caos e as trevas têm invadido cada vez mais os corações, e até para mim é difícil não se deixar levar pelo mal, então às vezes, só pensamos que vale a pena morrer fazendo o bem do que viver pelo mal.
- Pode ser, mas você é um humano diferente – comentou a elfa - eu realmente gostaria de irmos embora daqui, mas conheço o general e ele só vai depois que tiver certeza que os inimigos ou morreram ou fugiram.
- Por um acaso não haviam mais prisioneiras para serem libertas?
As duas elfas se olharam:
- Talvez, estávamos em uma cela próxima da porta, não ouvimos nada, mas é uma boa idéia conferirmos isso! Ficamos tão aliviadas com a nossa libertação que até esquecemos que poderiam haver outros elfos presos.
Wellan se levantou com dificuldades, mas conseguia caminhar sozinho, as duas indicaram a direção e os três caminharam para uma viela ao final da rua, durante a caminhada a tristeza cresceu cada vez mais no coração de Navia e Lânia ao ver seus irmãos elfos mortos ali daquela maneira brutal, mas continuaram, talvez ainda encontrassem elfos ou elfas com vida para libertar.
Do lado de dentro, Fujin caminhava junto os outros, Aderlius parecia impaciente, pois bufava e dava pisadas duras, e aquilo estava irritando Tailan e Phillipus:
- Qual o problema brutamontes?
- O problema elfo, é que vocês são muito maricas, esses passinhos, esse medo...
Fujin parou, franziu o cenho e olhou para trás diretamente para o bárbaro:
- Eu nem sei por que você está me acompanhando, se é pelas tais esferas, se elas realmente estiverem aqui e eu as recuperar as entrego para você, não precisa vir junto, mas se quiser me acompanhar, vai ter de seguir o meu comando, você pode ser acostumado a lutar do seu jeito, mas contra criaturas como Igwar músculos não bastam, a não ser que queira ser fatiado?
- O grande Aderlius não segue ordens de ninguém, e se meu jeito de lutar não ajuda muito, já se esqueceu que fui eu que cortei a perna daquele demônio lá fora?
- Você é bom no campo de batalha, mas contra seres inteligentes é preciso ser tão inteligente quanto, e para sua informação aquilo não era um demônio e sim um cavaleiro amaldiçoado programado para lutar, ele não é mais inteligente que uma mosca, e se você for vai calar essa sua boca!
Fujin e Aderlius estavam se encarando, Phillipus, Tailan observavam, Robs como todo bom paladino tentou colocar panos quentes na situação:
- O gente, acho melhor pararmos com isso, estamos do mesmo lado, juntos somos uma boa força, mas se nos matarmos aqui nenhum de nós alcançará o objetivo.
Na mesma hora Felon retornou:
- General, encontrei duas passagens mais a frente, mas resolvi voltar para relatar! Não encontrei ninguém no caminho, mas tem um forte odor de enxofre a partir da bifurcação!
Fujin mudou a fisionomia:
- Obrigado Felon – disse voltando-se novamente para o bárbaro – você é um bom guerreiro, mas tem de aprender a seguir ordens, conheço humanos que lhe matariam por muito menos, e acredite, eles conseguiriam.
Aderlius apenas resmungou afastando-se, Fujin continuou:
- O cheiro de enxofre é por causa dos guarda costas de Igwar, ele nunca anda sem a presença deles, são dois demônios desconhecidos, quando os relatos de que Igwar havia retornado chegaram até mim, não dei muita atenção, eu havia ouvido que ele tinha esse reforço junto a sua guarda, mas não acreditei até o dia em que fomos emboscados, seja lá como se deu seu retorno, ele tem alguém muito poderoso ao seu lado.
- Então você já o conhecia antes? Perguntou o paladino.
- Digamos que sim, mas não há tempo para esta história, quem sabe outro dia. Vamos para a bifurcação.
Caminharam por alguns minutos, Robs pensava com sigo mesmo, se as esferas realmente estavam ali, ele era o único que ainda podia impedir que seus amigos corressem risco em vão, Phillipus por estar diante de seu grande herói de infância, lutaria até seu ultimo fôlego, e Aderlius luta em qualquer ocasião, e quanto maior o desafio melhor, se morrer acredita que seu lugar estará reservado no céu de sua crença, afinal morreu em batalha, morte de herói. Chegaram até a bifurcação, o odor realmente era forte, se por todo o caminho as tochas eram fracas, aqui elas aumentavam o seu grau de alcance, os dois caminho aparentemente eram iguais.
- Paladino, qual o nome da sua espada? Indagou Fujin.
- Matadora de Demônios!
- Já matou algum?
- Ainda não, mas meu mestre Taskan sim.
- Eu percebi que você me lembrava alguém!
- Conhece meu mestre?
- Digamos que sim, quando o encontrar mande lembranças. Agora meu caro, chegou o dia de provar para si mesmo quão grande é sua fé e quem sabe fazer jus ao nome de sua lâmina! Eu, Tailan e Phillipus iremos pelo caminho da esquerda, Felon, Aderlius e você Robs irão pelo caminho da direita, você estará no comando cavaleiro santo, se um dos grupos chegar a lugar nenhum deverá retornar imediatamente para o outro caminho, agora vamos e que o Poderoso esteja conosco.
Os dois grupos se separaram, caminhavam com certa cautela e logo adentraram naqueles caminhos sem mais que a entrada pudesse ser vista. Fujin e os outros dois percorriam um caminho cada vez mais iluminado, o cheiro de enxofre começou a enfraquecer, o corredor era longo e sem que percebessem uma curva havia sido feita para a esquerda, o ângulo era tão suave que apenas depois de certo tempo Phillipus comentou o que havia percebido, Tailan concordou e Fujin confirmou, mesmo assim continuaram, o chão parecia bem seco e o corredor começara a ficar mais espaçoso, se deu inicio um tipo de pedra trabalhada nas paredes laterais. Depois de meia hora chegaram até uma porta toda trabalhada de ouro maciço, Fujin empurrou a maçaneta lentamente, a porta se moveu para dentro, uma grande sala com tapetes nas paredes surgiu, o chão também era do mais puro ouro, a abobada tinha um tom laranja e muitas pedras preciosas azuladas encravadas, três armários guardavam livros e alguns frascos, uma grande mesa ficava no centro da sala, em cima havia restos de comida como que se alguém tivesse abandonado as pressas o recinto, Tailan e Phillipus investigaram todo o recinto, milímetro por milímetro, Tailan encontrou algo abaixo de um tapete que ficava na parede no lado esquerdo da sala, o elfo puxou o tapete, havia um desenho, era o desenho de uma porta, Fujin observou atentamente por alguns segundos e um temor invadiu sua mente:
- Esse desenho, estamos do outro lado da taverna, vamos voltar, creio que os outros estão em perigo, rápido, rápido! E saíram correndo a todo fôlego pelo corredor novamente.
Assim que se separaram, Robs havia sacado sua grande espada e caminhava com ela firmemente empunhada, Aderlius parecia menos nervoso, e estava atento ao passos do amigo, Felon os acompanhava com seu arco armado e pronto para disparar ao menor movimento suspeito, diferente dos caminho dos outros três, aqui o cheiro de enxofre se mantinha e impreguinava cada vez mais as narinas. O chão começara a descer e a escuridão aumentar. Caminharam mais ou menos por quinze minutos e avistaram mais a frente uma luz avermelhada, Felon tomou a frente por ter os passos mais silenciosos, Robs e Aderlius apenas enxergavam a silueta um do outro, sem esperar o elfo foi violentamente puxado pelo arco e arremessado para longe dos dois companheiros, o bárbaro correu em socorro do elfo, Robs tentou falar para ele esperar, mas era tarde.
Aderlius entrou em um enorme salão com várias tochas queimando no alto, parou por um momento e observou, mais a frente avistou uma mini sala com uma espécie de altar e três homens ao redor. Correu rapidamente os olhos e viu Felon caído a sua direita e sem que pudesse reconhecer melhor o local levou um golpe na cabeça que o fez ajoelhar-se, o paladino que vinha mais atrás viu um vulto que passou pela sua frente quando acertou seu amigo. Felon correu para pegar seu arco e disparou varias flechas, mas a criatura era muito agil e parecia caminhar nas paredes como uma aranha, desceu de forma rápida e golpeou novamente o bárbaro que mal tinha se recuperado do primeiro golpe, o que a criatura não imaginava era que a espada do paladino fosse tão longa e pudesse ser manejada tão rapidamente. Robs acertou a criatura que soltou um urro para cair mais a frente próximo a Felon. O elfo sacou de sua espada e preparou-se para dar um golpe, foi surpreendido, a criatura tinha uma espécie de calda e a enrolou no braço do elfo, Felon gritou de dor, soltou a espada e começou a sentir seus ossos serem esmagados, o capuz da criatura caiu e seus olhos se revelaram vermelhos como sangue, sua boca era semelhante à boca de um crustáceo com dentes serrilhados, sua pele escamosa liberava o forte odor de enxofre. Robs correu em auxilio do elfo e cortou a calda do demônio que lamuriou e saltou para trás encarando-o.
Aderlius observou toda aquela cena, olhou para a sala mais a frente, algo estava acontecendo lá, Robs empunhando sua espada com as duas mãos encarava o demônio sem demonstrar medo. Felon amarrou panos em seu braço machucado e pegou novamente seu arco. O bárbaro estava em dúvida se ajudava os amigos ou corria em direção à sala mais a frente, naquele momento um dos homens apontou para fora em direção da batalha e ao que parecia o outro demônio capanga de Igwar começou a caminhar em direção dos três.
Robs brandiu sua espada em direção da criatura que parecia estar muito ferida, pois estava apenas se esquivando, como que se estivesse querendo ganhar tempo, suas rápidas esquivas estavam irritando o paladino, mas talvez o que a criatura não esperava era receber um flecha certeira em sua testa do arco do elfo, talvez tenha acreditado que o ferira o suficiente a ponto de que ele não poderia disparar mais, Robs não teve dúvidas, quando o demônio parou perplexo pela flechada teve seu tronco separado de suas pernas pela pesada espada sagrada do paladino, a famosa “Matadora de demônios”, a criatura caiu se debatendo e mesmo com o corpo separado tentava se arrastar, mas um bom paladino sempre faz o serviço completo, e a lâmina mais uma vez cortou o corpo da criatura dessa vez separando a cabeça do resto.
- Nunca subestime um elfo ferido na alma! Bradou Felon.
Robs ainda analisava a criatura quando viu o bárbaro correndo e gritando em direção a outro ser que vinha da sala à frente:
- Aderlius não...! O paladino tentou parar o amigo, mas sabia que se quisesse ajudá-lo teria de ir atrás, e correu em seguida.
O bárbaro havia decidido atacar o inimigo que vinha a frente, empunhou seu machado e correu em direção da criatura, não viu o paladino partir o outro inimigo, e tomado pela fúria da batalha começou a gritar, a criatura também corria e uma fumaça de poeira se levantou no lugar, Robs corria atrás, já um pouco ofegante, suas forças já estavam chegando ao limite.
Nem Aderlius nem a o demônio pararam e um forte som da batalha veio do encontro entre os dois, em meio a poeira Robs viu o corpo do amigo ser arremessado uns cinco metros para trás e cair imovel, a poeira abaixou e a criatura cambaleante tentava arrancar o machado de seu ombro direito, que diga-se de passagem havia feito um estrago razoável fazendo o sangue do demônio jorrar, o paladino não pensou duas vezes, era hora de terminar o serviço, afinal de contas, esse é o serviço de um paladino, banir o mal do mundo, mas foi pego de surpresa, uma descarga elétrica em forma de raios o acertou em cheio, ajoelhou-se em uma das pernas, tentou levantar, mas o golpe foi forte demais, soltou a espada e desabou no chão, ainda tentava se arrastar, mas todos os músculos de seu corpo estavam contraídos e isso incluía seu coração que ele sentia, estava com dificuldades para bater.
Felon havia conseguido com muita dificuldade armar o arco novamente, e quando viu o paladino ser atingido pela descarga elétrica mirou apesar da distância dentro da sala a frente, talvez não acertasse, porém o assustaria dando tempo para Robs se recuperar, não houve tempo, uma flecha atravessou-lhe a garganta, seu arco caiu, o elfo ajoelhou, o gosto de sangue inundou sua boca, seus olhos se encheram de lágrimas, Felon era um jovem elfo de futuro promissor, defendia o direito de viverem nesse mundo sem opressões contra seu povo e gostaria de voltar a ver as belezas da criação mais uma vez, ainda tinha sonhos, e naquele momento havia sido privado de vive-los assim como de ver a luz do sol uma ultima vez. Nem ele e muito menos o paladino haviam percebido que Igwar também havia saído da sala no fundo do salão e enquanto toda a atenção estava voltada para seus guarda costas ele havia se posicionado sorrateiramente nas sombras com arco tão potente quanto ao de Felon.
- Gosta de flechas elfo estúpido? Sinta o gosto delas! Gargalhou Igwar.
No momento em que o elferr pronunciou essas palavras Fujin e Tailan chegaram na entrada do grande salão e ainda puderam ver Felon em seus ultimo suspiros, seus cabelos loiros estavam ensopados em sangue, Tailan correu e levantou o tronco do amigo:
- Irmão! Não, não, não! Abraçou o corpo e lamentou.
Fujim observou rapidamente o campo de batalha, viu o demônio morto dividido em três, mais a frente o bárbaro imóvel no chão e o paladino se arrastando (as descargas elétricas haviam parado assim que os dois chegaram), observou a sala mais a frente e alguém lá dentro, escutou um zunido, sacou de sua espada e cortou uma flecha disparada em sua direção, apontou a espada justamente para a sombra onde Igwar se escondia:
- Saia das sombras seu maldito, nenhum elfo mais morrerá hoje aqui, saia das sombras e lute.
- Com todo o prazer mestre Fujin, irei fazê-lo provar o gosto da minha lâmina assim como seu amigo provou da minha flecha.
O paladino se levantou vagarosamente e apoiado em sua espada conseguiu se firmar, olhou para dentro da sala de onde havia vindo a descarga, um homem parecia estar levitando três esferas e ele sabia que aquilo parecia não ser nenhum pouco bom.
Continua...

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