O cavaleiro nem se mexia tamanho o medo diante daquela situação, seus olhos ardiam, seus músculos estavam completamente enrijecidos e o braço voltara a latejar, seus olhos viam o quanto ele podia, nem um daqueles homens se importava com a sua presença, nem mesmo o olhar de nojo que os elfos da escuridão dirigiram a ele e ao outro guarda nas ruas era percebido ali, estavam todos bebendo, comendo e conversando, o soldado que o havia chamado esperava do lado do balcão, um sujeito de baixa estatura sem capuz e de cabelos ralos atendia o que aparentemente era na verdade uma taverna de magos, o guarda chamou o cavaleiro, que se aproximou para o homem sussurrar próximo de seu ouvido:
- Não gosto de vir aqui por isso, nos tratam como nada nesse lugar, e ainda nos fazem esperar! Já tinha descido aqui soldado?
- N-n-não senhor! Por que não podemos descer aqui?
- Serpentes atinjam seu traseiro homem, estava dormindo quando o recrutaram?
- Acordei com dor de cabeça essa manhã e não me lembro de muita coisa.
O guarda fez um gesto para o homem de traz do balcão:
- Uma cerveja vermelha para mim e o soldado aqui. Não vá contar para o capitão a respeito disso, estamos em serviço, se bem que eles nem precisam da gente.
- Senhor, poderia refrescar minha memória?
- Soldado você está falando sério?
Wellan refletiu por um minuto:
- Às vezes me lembro de tudo, mas ainda não lembro por que aqui embaixo tem elfos da escuridão e esses caras de roxo e por que só ficamos lá em cima?
- Sorva sua cerveja e fique quieto, logo vai se lembrar.
O cavaleiro levou o caneco até a boca, mas não tomou nada, não era acostumado a tomar bebida forte, principalmente quando não conhecia, já o guarda que o acompanhava virou de uma vez o “delicado” caneco de cerveja. Uma porta se abriu e Wellan olhou no seu caneco de cerveja para ver se não tinha bebido mesmo, limpou os olhos e começou a achar que estava sonhando, pois a porta se abrira no meio da parede, porém nada indicava que ali existia uma porta, um dos encapuzados surgiu e caminhou na direção dos dois, o guarda fazendo uma reverência entregou a carta:
- Senhor, seu humilde servo apenas cumpre seu dever, chegou- nos essa carta hoje pela manhã!
Wellan vendo a cena não deixou de pensar “seu puxa saco”, “bundão”, mas se lembrou que em recintos como esse até pensar pode ser perigoso e continuou imóvel pelo efeito do medo. O homem que havia surgido da porta cumprimentou Wellan que por sua vez quase caiu ao devolver o cumprimento, pegou a carta, com uma voz fria e calma fez um convite aos soldados:
- Teremos uma atração especial aqui esta noite, e já está para começar, se quiserem estão convidados, fiquem a vontade!
O homem se afastara vagarosamente, e Wellan se aproximou do que parecia ser uma espécie de palco, mas na verdade fez esse movimento para ver se enxergava algo do outro lado da porta e pode ver de relance uma mesa com um elfo da escuridão e outros dois encapuzados de preto, o homem entrou, a porta se fechou assim com se abriu, sem deixar vestígios, alguns dos encapuzados que estavam no recinto observaram a movimentação, mas não esboçaram reação, alguma coisa iria começar no palco, o que quebrou o raciocínio do cavaleiro. Uma cortina lateral se abriu e duas belas elfas semi nuas foram empurradas de forma violenta por dois elfos da escuridão, elas choravam desesperadamente, estavam acorrentadas pelos pés e pelas mãos, suas peles claras estavam sujas e seus olhos inchados de tanto chorarem, seus corpos apresentavam hematomas e seus cabelos estavam despenteados, as duas tinham cabelos pretos e grandes olhos amendoados, tentavam esconder a quase nudez, o cavaleiro sentiu-se mal por tudo aquilo, eram duas lindas elfas, que mesmo em sua desgraça não tinha sua beleza apagada, o cavaleiro lançou um olhar de piedade para as duas.
Wellan nunca foi com a cara de magos, sempre detestou ladrões e aquele recinto parecia estar cheio das duas coisas, uma faísca se ascendeu dentro dele, tinha de se conter, seria estraçalhado antes mesmo que sacasse sua espada, fez menção de sair, o guarda o pegou pelo braço e lhe ordenou que ficasse, que tipo de atração teriam ali? Qual atrocidade estava por vir? E não demorou para que suas dúvidas começassem a ser respondidas, dois encapuzados subiram ao palco e começaram a rasgar o restante das roupas das duas, um outro começou a falar com uma voz maliciosa:
- Belas elfas, virgens, suculentas, prontas para quem tiver como pagar para fazer o que quiser com essas beldades que nossos sócios elferrs nos presentearam essa noite!
Um bando de encapuzados se acotovelava na beira do palco, passavam as mãos nas pernas das elfas que tentavam se defender sem muito sucesso, alguns já levantavam as mãos com seus sacos de dinheiro e gritavam valores descontroladamente, o anunciador parecia se deliciar com a aflição das duas, Wellan pode ver que em meio a seus cabelos as duas usavam uma tiara e também portavam braceletes de prata em seus braços, por algum motivo aquilo lhe chamou a atenção; o anunciador apontou um possível comprador, o chamou até o palco, ele jogou o saco de dinheiro para o homem, um dos encapuzados que quase rasgara toda a roupa das duas abriu o cadeado que as prendia e lhe empurrou para seu novo dono, que começou a realizar seus desejos mais sombrios no meio de todos, a faísca dentro de Wellan se tornara um fogueira, aquilo era degradante, não pensou em mais nada, foi arremetido a lembranças do passado, não importava se o acusavam de não ser um cavaleiro, ele tinha honra, e se morresse por causa dela, morreria feliz, morreria como um cavaleiro, sacou uma adaga que tinha na cintura da armadura e cortou o pescoço de dois encapuzados para abrir caminho, o que no meio da confusão foi fácil, sacou da espada e com toda sua raiva a fincou no meio do pescoço do encapuzado que passava sua língua na orelha da elfa, aproveitando a surpresa de todos decepou a perna do sujeito que segurava a outra elfa e puxou as duas para trás de si, o soldado que havia levado o cavaleiro até lá foi atacado por trás e uma grande adaga lhe atravessou o abdômen antes que pudesse tentar entender o que estava acontecendo, um silêncio profundo caiu sobre o recinto, agora Wellan empunhava sua espada contra uma multidão de encapuzados, uma das elfas tirou um de seus braceletes e o fixou no braço do cavaleiro, não havia mais para onde recuar, era o fim da linha, a vida tinha sido boa para ele desde de que conhecera o Rei Lionel e sua filha Linara, teve um vislumbre da princesa com seus esvoaçantes cabelos loiros e seu comprido vestido azul, lembrou-se da primeira vez que encarou seus alegres olhos verdes, seu doce sorriso, não conseguiria vê-la para se despedir, um dia ela ouviria como ele morrera ao defender duas donzelas élficas, voltou a realidade, os homens pronunciavam palavras que mais pareciam resmungos desconexos, já não havia espaço para golpear e seu fim havia chegado.
Após Fujin desferir o golpe no elferr que descera as escadas praguejando, renderam os dois guardas que os acompanhava, foram rápidos e eficazes, o elfo da escuridão tentava se levantar, mas Fujin pressionava o pé contra a garganta dele cada vez mais forte:
- Onde ficam as armas? Nossas armas.
- Você vai morrer elfo nojento, todos vocês vão morrer, gemendo como suas elfas! Disse o elferr com diculdade!
Fujin lançou-lhe um olhar de ódio:
- Você vai antes! O elferr se debateu até seu pescoço ser completamente esmagado.
- Querem sofrer o mesmo destino ou vão abrir o bico? Onde estão nossas armas? Disse Fujin olhando para os dois soldados que agora estavam apavorados.
- Não podemos, vamos morrer se falarmos!
- Vocês vão morrer de qualquer jeito! Comentou o bárbaro.
Os guardas tentaram resistir, mas foram surrados, e quando revelaram onde as armas estavam guardadas ouviu-se um som ensurdecedor de sinos, era o alarme, eles não sabiam, mas o homem que havia sido surrado por Wellan não estava morto e conseguiu se arrastar até a porta onde ficou, quando os guardas do lado de dentro resolveram abrir a porta para perguntar se os guardas de fora precisavam de algo, além de avistarem o homem sem a armadura e todo ensangüentado os outros dois guardas também estavam caídos, a cola de Phillipus perdera o efeito, mais que rápido o guarda correu e disparou o alarme, a surpresa havia acabado, mas não a fúria, Fujin tão rápido escutou o alarme chamou seus elfos e subiu as escadas velozmente, os guardas começaram a ver com terror elfos brotando da terra. Três elfos entraram correndo em uma das guaritas e massacraram os guardas, desceram por um alçapão e derrubaram mais três guardas que se encontravam ali cuidando das suas armas, porém como o alarme alertou os elferrs e os encapuzados, não haveria mais tempo para se armarem com suas armas, pegaram as duas espadas de seu general, uma lança, um arco e sua aljava além de duas espadas de seu regimento, enquanto realizavam essa tarefa, os outros elfos queimavam em busca de vingança, um sentimento nada nobre, porém, não era hora para nobreza, o insulto do elfo da escuridão em relação as elfas ao ser questionado por Fujin os deixara mais insanos ainda, os guardas não tiveram chance alguma, bastaram oito elfos para derrubá-los.
Os elfos incumbidos de pegar as armas chegaram até Fujin, lhe entregaram suas espadas, eram duas do mesmo tamanho, encurvadas na ponta, tinham um brilho cintilante e um corte afiado a ponto de atravessar uma rocha, “caçadora” e “protetora” eram seus nomes, o elfo as analisou, olhou ao redor, do seu lado esquerdo o elfo que recebera o arco, à direita o portador da lança, no meio da cidadela um grupo de elferrs se organizava para conter a fuga, mas ninguém estava fugindo, os elfos se armavam com as espadas e adagas dos soldados que haviam derrotado, não havia armas para todos, alguns ainda conseguiram descer ao alçapão, mas a grande maioria estava de mãos vazias, nem por isso menos empolgado pela batalha, Fujin apontando para baixo incentivava seus soldados:
- Elfos, lutem por suas vidas, lutem por seu lar, lutem por suas famílias, pela liberdade, morte a todos que escravizam os povos livres!!!
Noventa e três elfos pareciam quinhentos, desciam as escadas como um mar bravio, todos os gritos de seus companheiros ouvidos de suas celas sem que pudessem fazer nada lhes voltavam à lembrança, suposições do que poderia estar acontecendo com suas famílias fervilhavam em suas mentes, uma chama parecia queimar em seus olhos, e até mesmo os que estavam desarmados corriam sobre os elferrs que ainda não tinham visto tamanha fúria, Aderlius descia junto, gritando e cortando tantos elfos da escuridão quanto podia, ele não conseguia diferenciar um do outro, não conseguiria saber quem o envenenou, qualquer um poderia ser o elfo da escuridão que ele ansiava esmagar, por isso atacava sem misericórdia, no meio da cidadela uma massa de seres lutando havia se formado, Fujin e os dois elfos vinham atrás, também derrubavam quantos podiam, Phillipus mesmo machucado atacava bravamente com suas espadas e Robs meio sem entender o que estava ocorrendo se questionava se era certo estar em meio tamanha carnificina.
Fujin manejava de forma muito hábil suas duas espadas, conseguia combinar força e agilidade primorosamente e parecia flutuar quando saltava de um lado para o outro, os inimigos nem mesmo conseguiam se aproximar dele o que dava um ar de que o elfo era invencível, seus dois companheiros eram tão bons senão melhores, o portador do arco disparava mais flechas por minuto do que Phillipus podia contar, já o elfo que utilizava a lança golpeava os adversários furiosamente usando sua arma e seus pés, os três já faziam estrago nas hordas inimigas, mas todos os noventa e três elfos lutavam com todas as suas forças. No entanto elferrs não são criaturas fáceis de derrotar e meio as pressas conseguiram formar uma linha de arqueiros no final da rua do vilarejo, eram aproximadamente uns trinta e dispararam conscientemente, logo em seguida puderam ver que seu intuito obteve sucesso, alguns elfos caíram, o que dificultou mais ainda a batalha para os fugitivos, mais dois disparos foram feitos e um número maior de elfos caiu, os elfos da escuridão já começavam a sorrir e clamar pelo sangue de seus “irmãos” de boa índole, mas com assombro viram diante de seus olhos seus inimigos levantarem, retiravam as flechas de seus braços, pernas e troncos e continuavam a lutar da maneira que pudessem, apenas os que haviam levado o golpe definitivo ficaram no chão, porém os arqueiros continuavam a disparar e pareciam além de querer derrubar seus inimigos ganhar tempo.
Wellan e as duas donzelas élficas estavam debaixo de uma amontoado de encapuzados, uma das elfas enforcava com a corrente de seus braços o homem que as vendia como produto, o cavaleiro levava muitas pancadas e dava golpes com sua adaga como podia, furava alguns encapuzados, mas nada que diminuísse a quantidade de golpes, a outra elfa chorava muito e tentava se esconder atrás de seus dois companheiros, uma espécie de corda brilhante se enrolou nas perna de Wellan e o cavaleiro foi arremessado contra a parede onde estavam as bebidas, a multidão de encapuzados se deliciou ao ver as duas elfas desprotegidas, Wellan se levantou e a corda se enrolou em seu pescoço, tentou corta-lá mas a adaga passou direto pelo meio da corda, sua tentativa de puxar a corda com as mãos também foi em vão, pois suas mãos também a transpassaram, a corda começou a apertar mais, um homem com seu capuz nas costas era o dono da corda, seu cabelo era preto e curto, seus olhos esverdeados e não demonstravam nenhuma compaixão, sua mão esquerda estendida dava o aperto da corda, com um sorriso o homem puxou o cavaleiro próximo de si, afastado por uns três braços, Wellan agonizava e estava a ponto de urinar devido a forte dor e desespero de ver seu algoz face a face e não ter uma oportunidade de se defender, as elfas se debatiam e gritavam sem esperanças de que alguém as ouvisse; subitamente um grande barulho de sinos foi seguido por gritos a distância, mesmo em meio aquele confusão o barulho ao longe foi ouvido e os deixou preocupados.
A corda afrouxou e o cavaleiro conseguiu dar um empurrão no homem que o enforcava, Wellan caiu no chão e se arrastou como pode, as elfas respiraram aliviadas por todos aqueles homens correrem para a porta para saber o que estava acontecendo, e seja lá o que viram os deixou muito perturbados, podiam ouvir um grande barulho de batalha do lado de fora que se aproximava cada vez mais dali, os homens começaram a fugir, corriam para trás da cortina pela qual as elfas foram jogadas, o homem que antes enforcava Wellan entrou novamente na porta que surgia na parede e o cavaleiro apenas observou ainda fazendo força para respirar.
Do lado de fora, o elfo do arco disparava suas flecha com grande precisão contra os arqueiros elferrs que iam tombando rapidamente, Aderlius com seu machado abriu caminho com certa facilidade entre os seus adversários chegando até os arqueiros que ainda restavam para terminar de derrubá-los, e quando todos haviam caído, o bárbaro mal teve tempo para se defender, um grande machado, maior que o seu golpeou – o, um ser com uma armadura cheia de pontas o encarou com uma gargalhada sinistra, Fujin vendo aquilo gritou os nomes dos elfos que com ele se destacavam entre os outros,
- Felon, Tailan, ajudem o bárbaro contra o Meshk!
Felon era o melhor da sua região com o arco, ninguém era mais preciso nem mais rápido do que ele, alguns até duvidavam que ele fosse um elfo puro, achavam que era alguma criatura celestial disfarçada em seu meio, tamanho era sua habilidade com que usava o arco; já Tailan era valente e destemido, nunca recuava de uma batalha, nunca gostou de espadas e com sua lança era capaz de derrubar mais inimigos do que poderia se julgar ao ver seu rosto carismático e alegre, os dois eram elfos de confiança de Fujin, os três haviam treinado juntos pelo mesmo mestre elfo, porém Fujin era um líder natural e os dois juntos com os outros elfos dariam a vida por seu general, e justamente isso é que foi presenciado ali, já restavam poucos elferrs em pé, poucos elfos vivos também, mas de qualquer forma os segundos estavam em número muito reduzido, e quando Fujin gritou para os dois ajudarem Aderlius por que um Meshk surgira, as forças dos valentes foi minada.
Meshk’s eram criaturas meio vivas meio mortas, contam as lendas que são guerreiros que não suportavam a idéia da morte e fizeram um pacto com o senhor das profundezas para não sentirem mais dor, cansaço ou qualquer tipo de compaixão, mas o preço foi alto, apenas a parte de suas mentes em que se concentravam as batalhas restou, nenhum resquício de humanidade, se tornaram criaturas vis com sede de sangue fosse de um bárbaro fosse de um velho aleijado, não fazia diferença, contando que suas armas continuassem matando.
Aderlius forçava o machado com toda sua força, porém a criatura parecia não esboçar dificuldade, Tailan chegou e cravou a lança no braço direito do Meshk, enquanto Felon disparava suas flechas contra ele, o bárbaro aproveitou a distração e puxou sua arma para fora do combate, os três haviam fechado o cerco contra o Meshk que apenas tirou de sua armadura suja e fétida as flechas lançadas por Felon; mais atrás os últimos elfos da escuridão caiam pelas mãos de Fujin, Robs, Phillipus e os poucos elfos que restavam.
Robs viu pela porta da taverna Wellan encostado na parede, entrou e observou alguns homens de capuz correndo para trás de uma cortina, viu também as duas elfas chorando muito ao lado do local pelo qual os homens corriam, Phillipus e mais cinco elfos entram no recinto, o paladino se abaixou até o amigo que sussurrou com dificuldades:
- Mate todos esses desgraçados de capuz!
Robs correu até o local pelo qual os homens haviam se escondido e observou um caminho que descia no chão, os elfos vendo a situação humilhante de duas donzelas de seu povo gritaram e correram pelo caminho, Robs os acompanhou e Phillipus ficou prestando assistência às elfas. O caminho descia, mas em seguida subia rapidamente, era todo iluminado por tochas e não demorou muito para alcançarem os homens de capuz que por algum motivo preferiram correr ao invés de lutar, os elfos não tiveram piedade e assim que os alcançaram começaram sua vingança, suas lâminas cortavam gargantas sem clemência, e mesmo que alguns tentassem pedir misericórdia aos elfos tinham sai boca traspassada por uma espada, os cinco elfos que ali entraram mataram todos que encontraram, não sobrando um sequer, é bem verdade que os homens tentaram lutar e até mataram um dos elfos, mas não foi suficiente para salvarem suas vidas, o paladino acompanhou tudo e estava meio desnorteado, sabia que ali havia uma presença maligna, e com certeza aqueles homens não tinham as melhores intenções, mas tudo parecia fugir ao controle, e talvez isso o deixasse perdido, seu medo de não ter controle das coisas.
Do lado de fora Aderlius, Felon e Tailan lutavam contra o Meshk, o bárbaro golpeava sem dó, mas seu adversário defendia suas machadadas com o braço, o que o enfurecia, Tailan procurava acertá-lo com sua lança, mas era bloqueado pelo machado, e as flechas de Felon pareciam não feri-lo, Fujin que havia conseguido chegar até o local onde os três tentavam derrubar a criatura desferiu um golpe na altura do pescoço, e isso chamou a sua atenção, pois ele se esqueceu dos três e tentou acertar o elfo com tamanha força que uma das espadas do elfo se partiu em vários pedaços ao se defender habilmente, porém seu machado ficou preso no solo, e enquanto ele tentava arrancá-lo do chão Aderlius deu-lhe um golpe tão forte na altura do joelho que lhe decepou a perna derrubando-o, no entanto o guerreiro morto-vivo se levantou mesmo faltando à perna, se apoiava no machado, um liquido azulado escorria do seu ferimento, Tailan enfiou a lança dentro do elmo derrubando-o novamente, para mais uma vez o Meshk se levantar, mas antes que conseguisse Fujin cravou-lhe a espada no coração, cortando o aço da armadura, seus ossos, atravessando a carne e cortando o aço do outro lado da armadura.
Restavam apenas uns vinte e cinco elfos fora os três, na maioria cansados e feridos, mas havia sido uma vitória épica, seus amigos, seus irmãos podiam ter tombado ali, mas não é sempre que noventa e três elfos e mais três humanos derrubam trezentos elfos da escuridão, não havia recompensa por aquilo, não havia glamour, mas havia satisfação de saber que aqueles seres não iriam repetir suas atrocidades contra nenhuma outra espécie.
As duas elfas surgiram correndo para abraçar Tailan, estavam vestindo as blusas dos homens de capuz que haviam morrido no recinto em que estavam sendo vendidas, uma gritou irmão e a outra meu amor dando um longo beijo, Wellan observou a cena e vislumbrava aquele cenário de batalha campal, corpos amontoados em meio a uma poça de sangue sem fim, alguns ainda gemiam, outros agonizavam:
- Mas que porcaria está acontecendo aqui? Será que estamos no lugar certo? Tudo o que queríamos eram as esferas e eu nem sei se elas estão aqui.
Um elfo parou do seu lado e com uma voz solene disse:
- É bem provável que elas estejam aqui, enfrentamos forças que não são encontradas normalmente, a não ser quando se quer proteger algo de muito poder.
O elfo era Fujin, Wellan preferiu ficar quieto, não estava entendendo nada, se apoiava na espada como uma bengala, Tailan se aproximou e lhe agradeceu fazendo um gesto que se faz apenas para nobres, as duas também agradeceram muito ao cavaleiro, que se lembrou e contou da porta na parede aos seus companheiros, Fujin olhou para os seus soldados:
- Felon, Tailan, podem lutar?
Um gesto de sim foi a resposta.
- Phillipus, bárbaro, paladino?
- Sim, apesar do ferimento em meu braço.
- Sim.
- Sim.
O cavaleiro se sentou novamente fazendo um gesto de negativo, os outros elfos sobreviventes não foram convocados por seu general que se virou para o bárbaro e para o paladino:
- Espero que vocês estejam bons para lutar ainda, vamos precisar de muita fé e força bruta.
Virou-se, começou a analisar a parede onde Wellan havia dito que existia uma porta:
- Igwar, você será o próximo a sentir o aço da minha espada!
Continua...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
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agora sim hein!
ResponderExcluirbora para a continuação. Ta demorando
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