Enfrentar três trolls da floresta de uma vez era algo desafiador e até tolo, no entanto não tinham muita opção, poderia ser a ultima batalha que enfrentariam, principalmente por que um dos trolls era muito grande e forte, e esse mesmo apontando para os quatro amigos correu para cima deles usando a pequena árvore que havia arrancado como uma grande clava, Aderlius não era de fugir de batalha alguma, parecia não sentir medo ou ser desprovido de cérebro, pois ficou esperando o ataque, Phillipus pulou contra seu corpo e o derrubou antes que o golpe da criatura o atingisse, e um grande deslocamento de ar foi sentido por eles, o que demonstrava a força do golpe, o bárbaro rolou para um lado e o ranger para o outro, a “clava” do troll atingiu o chão, espirrando lama e pedras para os lados. Wellan passou correndo para dentro da caverna com um dos trolls atrás, Robs viu aquilo e não entendeu nada, era típico do cavaleiro bancar o herói, isso poderia custar-lhe a vida algum dia.
O rosto de Phillipus demonstrava grande pavor, que aumentou mais ainda quando o troll que havia os atacado por primeiro passou a adaga do bárbaro próximo a sua cabeça, se arrastou no chão para afastar-se, mas a criatura mesmo manca e duramente ferida destilava ódio e queria vingança, assim o perseguia implacavelmente. O grande troll continuava sua caçada ao bárbaro que já não tentava o enfrentar no corpo a corpo, a cada golpe errado da criatura um pequeno buraco era feito na lama, Robs tentava golpeá-lo com sua longa espada, mas o monstro parecia querer Aderlius, o que ajudou o paladino a dar um golpe certeiro na altura do peito do troll que soltou um grito e lançou a árvore contra o paladino acertando o em cheio, Robs soltou um gemido abafado de dor, Aderlius aproveitou e infligiu mais um dano no lado esquerdo do monstro com seu machado, o troll revidou o ataque com um soco certeiro no peito de Aderlius que sentiu o impacto e vacilou permitindo que o troll lhe pegasse pelo pescoço, o levantou até a altura de seus olhos para encará-lo, era acostumado a ver o medo de suas presas antes de devorá-las, mas o bárbaro não estava com medo, e soltou-lhe uma cusparada no meio da sua face horrenda, o troll apertou mais o pescoço de Aderlius que começou a sentir o ar lhe faltar, soltou o machado que ainda estava em sua mão direita e com suas duas mãos tentava tirar as mãos do troll de seu pescoço, apesar de sua força o troll estava ganhando. Phillipus corria meio escorregando na lama para fugir do troll ferido que parecia ser movido a ódio, naquele momento passou correndo ao lado do troll que enforcava Aderlius e acertou uma espadada na parte de trás da perna do algoz do bárbaro que ao sentir o golpe, fraco, diga-se de passagem, afrouxou a mão o suficiente para Aderlius se livrar e cair tentando respirar, porém Phillipus foi pego pelo seu comprido cabelo e levantado pelo grande troll.
Momentos antes, Wellan ao ver que estava sem espada não conseguiu pensar em nada inteligente e correu para dentro da caverna na tentativa de uma medida desesperada, o troll que surgira próximo a ele correu com suas garras e lhe atingiu a armadura, o cavaleiro se arcou para frente quase caindo, mas se recuperou e finalmente conseguiu entrar na caverna, o troll corria freneticamente atrás dele, Wellan torcia por encontrar o mecanismo que havia sido ativado há poucos instantes antes pelo ranger, e torcia mais ainda para não ser uma armadilha de disparo único tendo de ser carregada novamente. O barulho da batalha do lado de fora ficou baixo e apenas sua respiração e a do troll era ouvidas em meio à escuridão, o grande problema é que trolls da floresta conseguem enxergar razoavelmente bem no escuro, o suor escorria pela sua face, a respiração do troll se aproximava e a cada passo da criatura o cavaleiro sentia um temor ainda maior, suas pernas vacilaram, caiu e agora engatinhava atrás do mecanismo, tateava desesperadamente o chão, o troll parecia estar muito próximo, até que com o joelho sentiu algo se deslocar para baixo, ouviu o “click”, virou-se para correr, deu dois passos e foi levantado pelo montro que o segurava pela gola da armadura, o cavaleiro se debatia vigorosamente para fugir das garras da criatura, o fogo se aproximava e a caverna já clareava a ponto do cavaleiro poder ver os olhos insanos do troll.
Phillipus agora estava nas mãos do grande troll que o segurava para o troll ferido, o monstro aproximou-se e se preparou para enfiar - lhe a adaga no olho, foi quando um grito estridente de agonia veio da caverna com um forte calor e cheiro de carne queimada, os dois trolls colocaram as mãos sobre o rosto, o ranger caiu olhando também para a caverna, e assim que passou o susto, quando Phillipus pensou em correr, a adaga lhe atravessou o flanco direito, seu grito despertou os amigos que ainda se recuperavam, Aderlius se arremeteu contra o troll que afundava a adaga em Phillipus e o derrubou, o ranger mesmo em meio a agonia tirou uma flecha da sua aljava e cravou-a no olho que restava ao troll caído que se contorceu no chão como uma minhoca descoberta ao sol; no mesmo instante que o bárbaro pulou no troll ferido Robs acertou a barriga do grande troll, um golpe certeiro e crítico a ponto de fazer com que as entranhas do monstro saíssem para fora, mas aquele era um troll poderoso e mesmo assim correu para cima do paladino sem lhe deixar espaço para deflagrar outro golpe, a criatura atacava freneticamente com movimentos de braços e o paladino se defendia como podia, sua espada foi jogada para longe quando o troll lhe acertou uma braçada, Robs recuou até encostar em uma árvore, a criatura iria dilacerá-lo, apenas fechou os olhos e começou a orar ao seu deus, ouviu-se um barulho surdo, tudo parou, abriu os olhos, o sangue verde do troll escorria pela sua cabeça, a criatura tombou, Robs viu Aderlius ofegante, o machado do bárbaro estava cravado no crânio do troll , o bárbaro tinha lhe desferido o golpe final.
Robs pegou sua espada novamente, Aderlius arrancou seu machado da cabeça do troll fazendo certa força, Phillipus estava deitado ao lado do troll que o havia ferido, após furar o outro olho da criatura cortou-lhe a garganta com sua espada curta e ali ficou, o paladino correu para dentro da caverna, ascendeu sua lamparina e caminhou com cuidado, caminhou até onde achava que podia estar o mecanismo da armadilha e chutou algo metálico, iluminou embaixo, era o peitoral da armadura do cavaleiro totalmente queimada, ao lado pode ver alguns ossos que com certeza eram do troll, mais atrás a espada do amigo, abaixou a cabeça e começou a lembrar dos momentos que haviam passado juntos, da amizade, então ouviu uma voz vindo de trás do lugar onde estava:
- Alguém pode me ajudar?
- Wellan? Você está vivo?
- Não, eu morri e voltei para te assombrar! É claro que estou vivo, bom, pelo menos eu acho. Respondeu gemendo o cavaleiro.
Robs voltou, Wellan estava na passagem do lado esquerdo que eles haviam encontrado e preferiram não entrar, o paladino iluminou e pode ver o cavaleiro sentado com o braço direito imóvel e com alguns arranhões no rosto. Do lado de fora Aderlius ajudava Phillipus que estava gravemente ferido, levantou-o e o ajudou a encostar-se à parede externa da caverna, sangue escorria pelo ferimento, o bárbaro era acostumado a se recuperar de feridas assim, mas seu amigo era menos constituído, era provável que ele iria sobreviver, só precisaria de mais tempo, o que eles não tinham.
No lado de dentro, o cavaleiro explicou ao paladino que ao ser segurado pelo troll conseguiu abrir a armadura e “escorregar” por ela, mas não sem deslocar o braço direito, arrastou-se como pode até a fresta e se escondeu ali na esperança de não ser tostado, quando o fogo passou pela fresta Wellan comentou que parecia ter enxergado uma porta no final da passagem, Robs caminhou até um pedaço do corredor ergueu a lamparina e pode vislumbrar os contornos da porta, se aproximou, era uma porta vermelha chumbada na rocha, não tinha trinco, o paladino a empurrou devagar, a porta se abriu, deu uma iluminada no ambiente, uma mesa e um armário velho podiam ser facilmente reconhecidos, três cadeiras estavam postas ao lado da mesa, resolveu recuar, esperar pelos companheiros, passou pelo cavaleiro que continuava sentado no chão, e lhe avisou que iria chamar os dois que ficaram do lado fora. Ao sair encontrou Phillipus com uma grande ferida no ombro esquerdo, o troll chegara a levantar o ranger com a adaga, Aderlius tentava consolar o amigo sem muito sucesso, Robs sabia que dali para frente ele e o bárbaro teriam de lutar pelos quatro, pelo menos até que os dois companheiros se recuperassem:
- Wellan está vivo, foi mais uma daquelas idéias estúpidas dele, funcionou, por pouco, mas funcionou!
-Acho melhor queimarmos as carcaças dos trolls, não podemos chamar a atenção de outros trolls ou de animais carniceiros, isso também poderia alarmar outras criaturas e outras pessoas! Disse o ranger em meio às dores.
Aderlius demonstrou estar de acordo com um gesto de cabeça, empilhou os dois corpos, despejou óleo e ateou fogo, os primeiros raios de sol surgiram no céu; Robs comentou a respeito da sala misteriosa que havia descoberto dentro da caverna, o bárbaro ajudou Phillipus a levantar e o carregou até onde se encontrava o cavaleiro, Wellan com a ajuda do paladino se levantou em meio a dificuldades e dores e os acompanhou até a porta, entraram com cuidado, Robs iluminava o ambiente que não era muito grande, mas era um bom lugar para se acomodarem, os armários estavam limpos, porém, vazios, Aderlius ajudou Phillipus a sentar-se em uma das cadeiras, Wellan desabou em um dos cantos e ficou ali, pensativo como sempre, Robs e Aderlius procuraram outra possíveis portas, mas não encontraram nada, nem nas paredes, nem no teto, nem no chão, mas encontraram algo que poderia ajudá-los, tochas prontas para serem acessas, uma em cada canto da sala, assim que as ascenderam puderam observar que aquele recinto estava muito limpo e que aquelas tochas eram recentes, além de iluminar o local o mantinha aquecido, as paredes eram bem talhadas, e o teto muito alto:
- Pelo visto esse lugar tem sido usado regularmente, só espero que quem o tem usado não apareça, ou eu estou perdido! Reclamou o cavaleiro.
- Infelizmente você tem razão Wellan - concordou o paladino – mas não temos muita opção, você e Phillipus estão feridos e eu e Aderlius cansados, somos presas fáceis, precisamos descansar e nos reorganizar, se não tivéssemos encontrado essa sala teríamos de achar outro lugar para ficarmos escondidos.
- Minha espada, você a viu?
- Vi sim, no corredor e a sua armadura do tórax!
- Poderia buscar para mim?
Robs nem questionou o amigo, rapidamente foi até o corredor e pegou a espada e a parte da armadura o cavaleiro, que não ficou contente quando viu o estado em que se encontrava sua vestimenta de batalha:
- Nossa, que porcaria de armadura, não tem como usar mais, torrou, nem parece que é de aço.
- Pelo menos sua espada esta intacta! Disse o paladino entregando-a ao cavaleiro.
- Que ótimo, se não bastasse meu elmo ter sido roubado por um gnomo agora o peitoral da armadura foi tostado junto com um troll.
Aderlius tirou um pedaço de pão e começou a devorá-lo, Robs jogou a mochila de Wellan que havia ficado do lado de fora para ele, retirou seu cantil e tomou toda a água de uma vez, o paladino pegou seu estoque e deu uma golada, se aproximou de Phillipus e despejou um pouco sobre o ferimento do amigo que fez um gesto terrível de dor:
- Calma lá amigão, vou orar pelo seu ferimento, mas é preciso purificá-lo um pouco, ou ao menos tentar! Disse o paladino dando um sorriso.
-Vai orar por ele, ore por mim também! Reclamou Wellan secando a boca após ter tomado a água.
- Consegue vir até aqui? Perguntou Robs.
O cavaleiro disse que sim, se arrastou até onde se encontrava os dois amigos, Robs colocou uma mão sobre o ombro de Wellan e outra bem próxima do ferimento de Phillipus, recitou palavras de benção sobre os amigos em nome do seu deus e clamou por cura, afastou as mãos, o cavaleiro olhou desconfiado, as dores ainda eram as mesma, tinha a impressão que haviam até piorado, correu os olhos para a ferida do ranger, que milagrosamente havia estancado o sangramento e não tinha mais o aspecto de uma ferida recente:
- Curou ele e não eu, é esse tipo de coisa que não entendo, o que eu tenho de pior que ele, eu até creio, mas ele não, curou um ateu, e eu continuo aqui com essas dores...
- Não posso fazer nada a respeito Wellan, fiz a mesma oração para os dois ao mesmo tempo, se você não foi curado, agradeça da mesma forma.
- Eu conheço um bom remédio para esse tipo de ferimento, Wellan! Gracejou o bárbaro.
- É mesmo? O que é?
- Mijo!!! Respondeu Aderlius caindo na gargalhada.
O cavaleiro voltou para seu canto emburrado e encontrou um punhado de bandagens.
- O que é isso? Parece que alguém ferido passou por aqui antes. Disse mostrando para os amigos as bandagens no chão.
- Provavelmente devem ser do elfo, já faz seis dias que nós deparamos com eles. Divagou Phillipus, que apresentava uma boa melhora após a oração de Robs.
-Será que ainda consegue rastreá-los?
- Creio que não, mas sabemos que entraram nessa caverna, vamos ter de continuar para ver onde vai dar.
- Mas agora é melhor comermos e dormimos, vamos descansar, precisamos nos apressar, demos nossa palavra ao Conde de que não retornaríamos sem as esferas.
- E por falar em conde, use o remédio que ele deu para usarmos caso precisássemos, ele disse que até para dor era bom.
O bárbaro puxou o armário e o arrastou para trás da porta, todos comeram um pouco e repousaram, dormiram sem que ninguém ficasse de guarda, só haviam encontrado uma entrada, que também servia de saída, não existia outro acesso aquela sala, por isso decidiram dormir para reporem suas energias, a caminhada seria dura.
Acordaram com o grito do cavaleiro, que tentava colocar o ombro no lugar dando uma pancada contra a parede da sala, Aderlius levantou-se rápido empunhando o machado, Phillipus e Robs se colocaram de pé em um pulo, olharam a cena dolorosa do cavaleiro, porém seu ombro entrou no lugar, caiu de joelhos no chão gemendo, nenhum dos três disse uma palavra, aproveitaram para se espreguiçar, arrumaram suas bagagens e se prepararam para continuar o caminho. O cavaleiro pegou sua espada, olhou para a armadura, balançou a cabeça, e após Aderlius tirar o armário da entrada caminhou sem o peitoral, portava armadura apenas nos braços e pernas, e mesmo essas partes estavam muito danificadas, Robs perguntou para Phillipus como estava o ferimento e ele se mostrou muito bem, Aderlius comeu mais do que todos juntos pela manhã e estava de bom humor, para um bárbaro quanto maior o grau de dificuldade de uma batalha mais contente ele fica, mesmo que isso implique em sua morte, afinal morrer em batalha é uma glória, ao menos assim ele pensava.
Caminharam com cuidado, passaram pela armadilha sem a ativarem, provavelmente durante todo o resto do dia e parte da noite caminharam por um corredor estreito, o túnel não mudou de espessura e o medo os acompanhou por todo aquele caminho, o silêncio era perturbador, nenhuma outra armadilha foi detectada no caminho, talvez não existisse, talvez tenham tido sorte; Robs caminhava à frente portando a tocha, seguido por Wellan e Phillipus, Aderlius cuidava da retaguarda também portando uma tocha e caminhando de costas, o paladino sentiu uma corrente de ar e diminuiu o passo, pode enxergar mais a frente uma luminosidade, cainhou mais um pouco e iluminou acima da cabeça, pode ver uma espécie de bola de fogo sustentada por um mecanismo, era dali que vinha a chama, a velocidade deveria ser enorme, afinal caminharam muito para chegar até ali, passaram com mais cuidado ainda, agora o piso começava a descer lentamente e o ar sufocante diminuir, uma luz parecia dançar na parede, observaram que o túnel fazia uma curva para a direita, esse pedaço era iluminado por tochas, colocadas uma ao lado da outra por um longo corredor, eram essas luzes que pareciam dançar, a corrente de ar aumentava conforme andavam, apagaram suas tochas, ao longe o corredor parecia se alargar, mais a frente avistaram um grande porta dupla e o que temiam, três homens armados, que por sua vez aos avistarem, desembainharam suas espadas e caminharam em direção a eles, dois vieram mais a frente e um ficou atrás:
- Problemas! Sussurrou o paladino.
Continuaram andando até saírem do corredor, estavam em uma grande abóboda, os guardas se aproximavam rápido, Aderlius tomou a dianteira ao lado de Robs, sacou o seu machado, os homens pararam:
- Quem são vocês e o que querem aqui?
- Somos viajantes errantes, estávamos fugindo de trolls, encontramos essa entrada e resolvemos caminhar por ela! Respondeu Robs.
- Pois então tratem de voltar pelo mesmo caminho por onde vieram, essa região tem dono!
- Não podemos!
- Não é problema nosso, aqui vocês não vão passar, se quiserem viver, voltem por onde vieram!
- Você está me dando uma ordem seu inseto? Levantou a voz o bárbaro.
- Sim, e se vocês forem inteligentes é melhor obedecerem.
Phillipus e Wellan se olharam e balançaram a cabeça, o homem havia cometido dois erros graves, primeiro deu uma ordem a um bárbaro, segundo, falou de sua inteligência, Aderlius não se importava com o sentido, sempre achava que estavam o chamando de burro e isso o irritava muito. O bárbaro resmungou algo e antes que Robs pudesse falar Aderlius saiu em disparada acertando um forte golpe no guarda que os mandou voltar arremessando-o para trás, o outro vendo o companheiro sendo golpeado tentou revidar, mas seu golpe foi bloqueado pela gigantesca espada do paladino, um duelo de espadas teve inicio, o terceiro guarda correu e começou a bater na porta, Phillipus tentava armar o arco, mas o braço ainda doía muito, Wellan correu em meio às dores, mas era tarde, a porta se abriu e mais três guardas apareceram, mais fortes, mais equipados, portando escudos, a porta se fechou atrás deles, o cavaleiro sacou a espada, recuou, o bárbaro espumava de raiva, Robs desferiu o golpe final no guarda que o enfrentava, levantou a cabeça e viu a cena:
- Por que tem de ser sempre assim?
Continua...
sábado, 22 de maio de 2010
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